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domingo, 5 de setembro de 2010

Mais de 2 mil pessoas acompanharam sepultamento do prefeito de Alto Paraíso

Suspeito segue foragido

Publicação: 05/09/2010 09:30
Carolina Khodr, do Correio Braziliense

Alto Paraíso (GO) — A comoção eleitoral e social causada pelo assassinato do prefeito de Alto Paraíso, Divaldo William Rinco (PSDB) repercutiu diretamente na cerimônia de sepultamento, realizada ontem.

Mais de 2 mil pessoas, entre familiares, parlamentares e populares, acompanharam as últimas homenagens ao líder tucano, influente na região nordeste de Goiás.

Rinco levou três tiros pelas costas na noite de quinta-feira, em frente a um bar.

A polícia continua as buscas por Ary Garcez, principal suspeito do homicídio.

Colegas de infância, os dois se tornaram rivais políticos ferrenhos há dois anos, na disputa pela prefeitura de Alto Paraíso.

Divaldo venceu por diferença de apenas 114 votos o candidato Uiter Gomes de Araújo, apoiado por Ary.

O corpo do prefeito foi velado no ginásio municipal.

Vereadores e prefeitos de cidades vizinhas compareceram, assim como os senadores Marconi Perillo (PSDB), candidato ao governo, Demostenes Torres (DEM) e Lúcia Vânia (PSDB).

Marcus Adilson Rinco, irmão do prefeito assassinado, descartou que a tragédia tivesse sido apropriada como palanque.

Segundo ele, a situação era inevitável, já que o prefeito era muito conhecido. “A influência do Divaldo no processo eleitoral local e regional é inquestionável.

Culminou que o assassinato ocorreu num momento de campanha e de nervos à flor da pele. Ele era político. É natural a movimentação, o assédio, a exposição”, diz.

Rinco tinha sido convidado por Perillo para contribuir com o plano de governo para o estado e auxiliaria na execução de alguns projetos.

“Conversamos muito nos últimos meses e percebi que ele estava feliz porque sabia que essa seria a hora e a vez de Alto Paraíso”, disse Perillo, que lidera as pesquisas para o governo.

Psicopatia

O senador fez duras críticas ao principal suspeito pelo crime: “Só uma psicopatia grave pode justificar uma atitude tão cruel e criminosa como essa”.

A última pessoa a discursar foi a mãe de Divaldo.

Romilda prestou homenagem ao filho pedindo que ele fosse lembrado pelo entusiasmo com que trabalhava pela comunidade. “Meu filho queria transformar essa cidade em um pedaço do céu na Terra”, disse.

A população formou um cortejo e acompanhou a família do prefeito até o cemitério municipal de Alto Paraíso, onde ocorreu o sepultamento, por volta das 11h.

O vice, Álan Barbosa (PSB), assumiu a prefeitura em cerimônia que ocorreu logo depois do enterro e se diz preparado para o cargo. “Muitos projetos estão em andamento e o desafio é dar continuidade”, conta.

Filho do principal suspeito do crime, o vereador Hueberton Garcez (DEM) não compareceu à cerimônia.
Barbosa defendeu a permanência dele no cargo. “Ele não tem responsabilidade no assassinato.

Temos que respeitar a diversidade de ideais com serenidade e não alimentar rancor nem ódio”, disse.

Buscas divididas

Equipes policiais de Alto Paraíso e de Formosa estão trabalhando em conjunto para tentar localizar Ary da Abadia Garcez, principal suspeito do assassinato do prefeito Divaldo William Rinco.

Segundo a delegada titular da região, Simelli Santana, as áreas das rondas não foram divulgadas para não prejudicar as investigações.

Na última sexta-feira, duas testemunhas que estavam no bar próximo ao local do assassinato foram ouvidas pela polícia.

Leiviani Ferreira Barbosa e Rosivan Falcão prestaram depoimento, mas, de acordo com a delegada, elas apenas ouviram os disparos e não viram o momento do crime.

O vereador Hueberton Garcez, filho do suspeito, também prestou depoimento.

Ele foi liberado, mas ainda pode ser intimado para esclarecer questões relacionadas ao crime.

De acordo com a delegada, todos os indícios reforçam a autoria de Ary, até porque há testemunhas de que ele pediu para conversar em particular com o prefeito na saída do bar momentos antes do homicídio.

De acordo com o novo prefeito, Álan Barbosa, um sentimento de derrota inesperada desencadeou a discórdia entre Ary e Divaldo. “O grupo que estava na prefeitura tinha certeza da reeleição.

Eles não souberam lidar com a derrota.

Fizeram várias acusações infundadas de compra de votos, mas ganhamos por unanimidade todos os julgamentos dos tribunais eleitorais”, explica.

“Antes dos tiros, dois casos de agressões físicas chegaram a acontecer.

O que não sabíamos é que isso era um presságio para uma tragédia ainda maior”, conta.

Com o início das campanhas eleitorais deste ano, as divergências entre os antigos colegas se acentuaram, já que Ary e o filho declararam apoio a Vanderlan Cardoso (PR) para o governo de Goiás.

Divaldo comandava na região a campanha de Marconi Perillo (PSDB). (CK)

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