sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Ministério Público denuncia assassino do prefeito de Alto Paraíso de Goiás

Prefeito Divaldo Rinco foi assassinado por adversário político

Danuzia Rinco, esposa de Divaldo, diz que lutará pela manutenção
dos ideais do marido assassinado



Assassinado no dia 02 de setembro, ao término de uma reunião política, o prefeito de Alto Paraíso, Divaldo William Rinco, era conhecido pelo sorriso constante e o forte poder de argumentação.

Nunca andou armado.

Estudioso da doutrina espírita, tinha consciência que sua missão, como homem público, era trabalhar pelo bem do povo goiano, em especial pelas comunidades da Chapada dos Veadeiros.

Sua missão foi covardemente interrompida.

O assassino, segundo denuncia do Ministério Público, Ary da Abadia Garcez, continua foragido.

O promotor de Justiça Wagner de Magalhães Carvalho ofereceu denúncia contra Ary da Abadia Garcêz, pelo assassinato, em setembro, do prefeito de Alto Paraíso, Divaldo Willian Rinco.

O Ministério Público baseou-se nas conclusões do inquérito conduzido pela Polícia Civil.

A denúncia aponta que a vítima foi atingida por três tiros nas costas, não dando chances para que se defendesse.

Ainda conforme a apuração, o então prefeito e o acusado eram antigos adversários políticos e, nas eleições de outubro, apoiavam diferentes candidatos, o que teria motivado o crime.

Ary Garcêz foi denunciado por homicídio duplamente qualificado; por motivo torpe e com emprego de recurso que impossibilitou a defesa da vítima.


O promotor pediu ao juízo que o acusado seja citado, inicialmente, na sua residência, ressaltando, porém, que, diante das informações de sua fuga, seja, se necessário, feita a citação por hora certa. (Na citação com hora certa o prazo para a contestação começa a fluir da juntada do mandado e não do comprovante de recepção da correspondência do escrivão).


PREFEITO SERÁ HOMENAGEADO


Divaldo Rinco vivia momentos de sucesso como homem público.

Nomeado coordenador da campanha de Marconi Perillo para a região nordeste do estado, tinha livre trânsito entre os prefeitos e seria presença certa no secretariado do agora governador eleito.

Sua última aparição pública foi exatamente em uma reunião política, promovida por ele, entre vários prefeitos, ex-prefeitos, vereadores e lideranças do nordeste goiano e o então candidato Marconi Perillo, com presenças de Demóstenes Torres, Lucia Vânia, Vilmar Rocha e Iso Moreira.


Na reunião, realizada no Hotel Papillon, em Goiânia, os prefeitos Neudivaldo Sardinha (PP), Odete Magalhães (PR) e Celso Zanon (PT), declaram apoio à candidatura de Marconi, que afirmou, durante discurso, que seu governo começaria pelo nordeste goiano.


Marconi compareceu ao velório de Divaldo e se emocionou muito.


Posteriormente, em reunião política na cidade, disse a esposa, Danuzia Rinco, aos pais, Andalécio e Romilda, ao prefeito Alan Barbosa, ao deputado estadual Iso Moreira, familiares e centenas de correligionários de Divaldo, que, se eleito, concluiria a Estrada Parque que liga Alto Paraíso a Colinas do Sul, passando por São Jorge, dando-lhe o nome de Rodovia Divaldo William Rinco, em homenagem ao grande trabalhador pelo bem coletivo e grande defensor da natureza.


Ainda abalada com a tragédia, a comunidade de Alto Paraíso tem certeza de que esses compromissos serão resgatados pelo agora governador eleito Marconi Perillo, respaldados pelo amigo/irmão de Divaldo Rinco, o deputado estadual reeleito, Iso Moreira.

Quanto ao crime, uma parcela da população tem sentido temor em relação a uma possível impunidade.


A Policia Civil divulgou cartaz com foto do assassino, mas não passa informações, alegando que o processo corre sob segredo de justiça.

A denúncia feita pelo promotor de Justiça Wagner de Magalhães Carvalho, trás novo ânimo, mas a comunidade só se sentirá segura com o assassino atrás das grades, por isso cobra mais empenho das autoridades competentes.


Texto de Roberto Naborfazan (O Vetor) e Paula Resende (Estagiária da Assessoria de Comunicação Social do Ministério Público de Goiás)

Campos Belos: Novo Conselho Tutelar toma posse

Novos membros do Conselho Tutelar  e Prefeito de Campos Belos

O novo Conselho Tutelar do Município de Campos Belos, eleito em 22 de agosto passado, tomou posse.

Autoridades e membros da sociedade organizada, além de parentes e amigos dos eleitos, prestigiaram o evento.

O Prefeito Sardinha e a Secretária da Ação Social, Lucélia Oliveira, também estavam presentes no evento.

Reeleita como a conselheira mais bem votada, com 964 votos, Maria Aparecida Dias da Gama (Cida) diz que servir a comunidade através do Conselho Tutelar é gratificante, apesar das imensas dificuldades, tanto no ponto de vista da estrutura de trabalho quanto o baixo valor dos salários, principalmente nas pequenas cidades.

Segundo ela, os dramas vividos no dia a dia dão uma visão assustadora do quanto ainda se precisa fazer para proteger crianças e adolescentes das armadilhas geradas, as vezes pelos próprios parentes, no rumo das drogas, prostituição, pedofilia, abandono e agressões físicas.

Assim como a conselheira Cida, os novos conselheiros e suplentes, Gerson Serafim dos Santos, Welerson Rodrigues de Matos, Wendel Batista de Oliveira, Kérito Thiago Assunção Soares, Dirce de Oliveira Ferreira, José Manoel Batista, Simone Torres Pimentel de Souza, Edvaldo Nolasco da Rocha e Márcio Greique Caje de Carvalho passam a ser, nos próximos três anos, os “anjos protetores” das crianças e adolescentes do município de Campos Belos.

Kérito Thiago, que falou em nome dos eleitos, cobrou incisivamente ações da prefeitura, principalmente na maior movimentação do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente.

A primeira dama e Secretária da Ação Social, Lucélia Silvério dos Reis Oliveira, frisou a importância do trabalho dos conselheiros tanto na proteção das crianças e adolescentes, quanto na orientação dos familiares e conclamou a sociedade a apontar e auxiliar nas ações que impeçam o contato dos jovens com o mundo da prostituição e das drogas.

O prefeito Neudivaldo Sardinha afirmou que buscará meios para melhorar o salário dos conselheiros e também as condições de trabalho, além de assumir o compromisso de agilizar uma sede própria para o Conselho Tutelar do município.

Além da presidente do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente, Geminiana Cardoso Beltrão, prestigiaram o evento, entre outras personalidades, os vereadores Brasilino e Gilberto Brito(este representando o presidente da Câmara), a assessora do MP, Zoraima, secretária da educação, Odiva Xavier, e o tenente da PM, Leandro Ferreira Carvalho.

CONSELHOS TUTELARES PEDEM INVESTIMENTO

Pessoas que trabalham diretamente na proteção às crianças lamentam a falta de ferramentas para atuar com mais eficiência.

“Temos de oferecer estratégias para mapear e definir políticas públicas de enfrentamento.

Não existe uma política municipal de atendimento à criança e ao adolescente.

Atualmente, a maioria dos atendimentos é feito pela sociedade civil organizada, como instituições filantrópicas e organizações não-governamentais”, diz a presidente da Associação dos Conselheiros Tutelares do Estado de Goiás, Ana Lidia Fleury.

Ana Lídia acentua que uma ferramenta criada pelo governo federal, o Sistema de Informação para a Infância e Adolescência (Sipia), poderia auxiliar muito. “É preciso investimento.

A maioria dos conselhos tutelares está isolado. Não há como falar em proteção”, afirma Ana Lidia.

O investimento para integração no sistema seria relativamente pequeno.

O presidente do Conselho Estadual dos Conselhos Tutelares, Edson Lucas, explica que para Goiás integrar o Sipia é preciso apenas que cada município adquira um bom computador, com acesso à internet.

A ferramenta, segundo ele, está programada para gerar a estatística e integrar as ações. “É um banco de dados importantíssimo”, diz.

Conforme Edson Lucas, o sistema fornece uma resenha diária dos casos pendentes e estabelece prazos, o que obriga o conselheiro a trabalhar. “Ele facilitaria a fiscalização”, ressalta.

Ao integrar o Sipia, os seis conselhos tutelares existentes em Goiânia saberiam de imediato não só as denúncias formalizadas em cada um deles e e nos outros três de Aparecida de Goiânia, como nas unidades de todo o Brasil. “O sistema foi preparado dentro do princípio da proteção integral e da prioridade absoluta”, afirma Edson Lucas.

Na ausência de uma estatística confiável, o comportamento da sociedade civil ajuda a monitorar os casos de agressão. “É crescente o movimento para não calar a boca”, afirma Edson Lucas.

O caso do Berçário Bebê Feliz, no Parque das Laranjeiras, em que a diretora Maria do Carmo Serrano foi flagrada por câmera de vídeo maltratando crianças, pode ser considerado um exemplo da afirmação.

“Muitos educadores sabiam dos maustratos, mas não tinham coragem de fazer a denúncia, tanto pelo medo da exposição quanto da má interpretação”, lembra o presidente do Conselho Estadual dos Conselhos Tutelares.

Apartir da denúncia da educadora Ana Paula, outros funcionários da creche decidiram contar o que vinham assistindo rotineiramente na unidade.

Matéria publicada no Site o Vetor

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Mesmo com Lula fora, 2011 promete ser um ano pujante

Amigos leitores e seguidores assíduos,

Finaliza-se mais um ano, aproxima-se mais um Natal.

Momento propício para reflexões, balanços, mudanças de planos e objetivos, correções de rumo.

Este ano de 2010 foi especial para a maioria dos brasileiros.

Ano em que o mais popular dos presidentes da República fecha o seu ciclo de Governo.

Foi histórico o pronuciamento de despedida do Presidente Luis Inácio Lula da Silva, na noite desta quinta-feira, 23 de dezembro.

Mais do que os 90%  de aprovação de seu povo, o Presidente Lula pode se orgulhar de ter realizado mais do que prometeu durante a sua campanha presidencial de 2002.

É impressionante como um operário, retirante pobre, vence tantos obstáculos pessoais e ainda é capaz de ser mais eficiente e eficaz do que todos os outros letrados governantes do país.

Mais do que isso. Foi capaz de fazer o que ninguém imaginava: dar atenção ao povo mais necessitado, aos miseráveis, sem no entanto se descuidar da classe média ou sacrificar e renegar a elite  rica, que também aproveitou para aumentar a sua fortuna.

O Natal para a maioria dos brasileiros, mais uma vez no Governo Lula, será mais pujante e com mesa farta.

Mais uma vez, a virada de ano será de grande otimismo e esperança para muita gente.

Ao Presidente Lula, os nosso agradecimentos.  E que Deus continue a iluminar os seus caminhos, como fez por todos estes oito anos à frente deste Brasil gigantesco.

A você, amigo leitor,  que nos acompanhou por todo o ano de 2010, muitíssimo obrigado pela atenção, deferência e simpatia.

A todos, um Natal muito feliz  e um Ano Novo repleto de paz e muita saúde.

Fiquem com Deus. Feliz 2011 !!!

sábado, 18 de dezembro de 2010

Salário parlamentar: um aumento descabido

Paulo Maluf:  que "sorrisão", hem deputado! 
Na foto, os apoiadores do escandaloso aumento


As chances de o novo salário mínimo ser de R$ 580, como querem os representantes das centrais sindicais, são remotas. 

“É difícil fixar o mínimo em R$ 580, porque não tem orçamento”, 

Estas são as palavras do ministro da Trabalho e Emprego, Carlos Lupi.

Na sexta-feira (17), a relatora-geral do Orçamento, senadora Serys Slhessarenko (PT-MT), disse que manterá a proposta de fixar o salário mínimo em R$ 540 reais.

Enquanto isso, na vizinha Praça dos Três Poderes, a Câmara dos Deputados acaba de aprovar o aumento de seus 513 deputados e  dos 81 senadores.

Ao iniciarem a 54ª legislatura, em 1º de fevereiro, perceberão um subsídio de R$ 26,7 mil, pela abertura dos trabalhos. 

Um aumento de 61% em relação aos R$ 16.500 de salário que recebem atualmente. 

Esse valor se repetirá no contracheque dos parlamentares até 31 de janeiro de 2015 e pagaria o salário de um trabalhador assalariado durante os próximos quatro anos. 

E o pior disso é o efeito cascata.

Todas as Assembléias Legislativas irão aumentar os respectivos salários de seu membros. 

Ou melhor, muitas delas já aumentaram, em razão de terem aprovadas leis de reajustes automáticos. 

Segundo a Constituição Brasileira, o deputado estadual pode perceber até 75% dos subsídios de um parlamentar federal. 

No Rio de Janeiro, por exemplo, os rendimentos de um deputado estadual passam de um um valor de R$ 12.384 para R$ 20.000. 

E mais. O abismo que separa o vencimento dos deputados e senadores da realidade remuneratória do brasileiro não se resume aos trabalhadores que recebem o salário-base. 

A assertividade que marcou a votação do reajuste de 61,8% no subsídio dos parlamentares não se repete quando o Legislativo tem que decidir sobre melhorias na remuneração de profissionais de áreas-chaves para o país, como médicos, professores e policiais.

A PEC 300 (Projeto de Emenda da Constituição) que estabelece um piso para os policiais militares de todos os estados dá toda a pinta de que não vai passar.  


O projeto não tem apoio dos ministros regentes da economia e tão pouco dos governadores de estado. 

Nosso país é assim. Quando os brasileiros veem uma pequena luz no final do túnel, com a melhoria da renda, crescimento econômico e queda do desemprego, recebem  um banho de ducha fria como este. 

Mas a verdade seja dita: os parlamentares nacionais estão pouco se lixando para sociedade. Pensam somente em seus bolsos e, de preferência, cheios. 



sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Justiça Ativa faz mais de mil atendimentos em Campos Belos

Juiz Fernando Samuel
Maria Cleuza presta depoimento
O Campus da UEG se transformou num grande foro 
Rinaldo Barros adverte acusados sobre regras de conduta


Texto e fotos: Wagner Soares, do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás.


Mais de mil pessoas devem passar até as 18 horas de hoje (10) pelo prédio da Universidade Estadual de Goiás (UEG) de Campos Belos.

No local está sendo realizada a última edição deste ano do Projeto Justiça Ativa, que tem como coordenador o juiz Enyon Artur Fleury de Lemos, auxiliar da Presidência do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO).

Foram instaladas 14 bancas de audiências e desde esta quinta-feira, dia 9 de dezembro, 11 juízes, 9 promotores, diversos advogados e servidores, trabalham intensamente para dar celeridade aos 220 processos dos 5341 que tramitam atualmente na comarca.

Pela manhã os esforços foram concentrados nas audiências que envolviam infrações de menores, como a realizada na banca de número 4, presidida pelo juiz Rinaldo Aparecido Barros, que, após ouvir três menores acusados por furto de um veículo na cidade no ano passado, além de colher depoimentos dos pais e testemunhas.

Atendendo à solicitação do representante do Ministério Público local, promotor Marcelo Crepaldi Dias Barreira, o magistrado decidiu aplicar aos três menores uma medida socioeducativa de prestação de serviços à comunidade.

Ele estabeleceu que a pena deve ser cumprida por 8 meses durante 8 horas semanais na Secretaria de Obras do Município, e, em seguida,  advertiu os menores e os pais sobre as regras de conduta estipuladas durante o referido período, devidamente especificadas na decisão.

Até às 12 horas, o juiz Rinaldo Aparecido Barros já havia realizado 15 audiências de instrução.

Já o juiz Fernando Oliveira Samuel, titular da comarca de São Domingos e que atualmente também responde por Campos Belos, além de coordenar esta edição, deixou claro seu entusiasmo pelo programa.

"A realização da Justiça Ativa na comarca já é um sucesso, pois contribuirá para aliviar a carga de processos acumulados.

Só tenho a agradecer a colaboração dos magistrados, promotores, servidores e advogados que se deslocaram de comarcas vizinhas para prestar este grande auxílio à comunidade de Campos Belos", disse, satisfeito com o mutirão de pessoas que se uniram para a realização do projeto.

O evento conta com o apoio da prefeitura local e tem a participação do juízes Gustavo Braga Carvalho, da comarca de Cavalcante, Carlos Henrique Loução (Iaciara), Cristiane Moreira Lopes Rodrigues, Marli de Fátima Naves e Mábio Antônio Macedo (Goiânia), Heloísa Silva Mattos (juíza substituta), Rozemberg Vilela da Fonseca (Rubiataba), Alano Cardoso e Castro (Planaltina), Leonardo Fleury Curado Dias e Fernando Ribeiro Oliveira (Senador Canedo), Rinaldo Aparecido Barros (Jaraguá), Renata Teixeira Rocha (Cidade Ocidental) e Decildo Ferreira Lopes (Crixás).

Pelo Ministério Público atuam os promotores Alessandro Luiz de Souza (Santa Terezinha de Goiás), Ana Paula Machado Franklin (Crixás), Pedro Eugênio Beltrame Benatti (Aragarças), Pedro de Mello Florentino (Serranópolis), Marcelo Crepaldi Dias Barreira (Alvorada do Norte), Wagner de Magalhães Carvalho (Alto Paraíso), André Wagner Melgaço Reis, João Paulo Cândido dos Santos Oliveira (Posse) e Jean Cléber Zamperlini (Planaltina).

Segundo relatório encaminhado ao Centro de Comunicação Social (CCS) pelo secretário-geral do projeto, Adilson Canêdo Machado, somente neste ano, o Justiça Ativa computou 21 edições, realizou 17.203 atos jurídicos e 6.154 audiências, além de efetivar 216 sentenças criminais e 3.994 cíveis.


O relatório aponta ainda 95 atendimentos jurídicos de magistrados por edição.

O programa atendeu as comarcas de Mineiros, Novo Gama, Silvânia, Itapirapuã, Niquelândia, Itapuranga, Jandaia, Itapaci, Padre Bernardo, São Miguel do Araguaia, Acreúna, Caldas Novas, Águas Lindas de Goiás, Crixás, Nova Crixás, Aragarças, Goianésia, Cristalina, São Simão e Senador Canedo.


 Os mutirões contaram com a participação efetiva de 181 magistrados.


Os juízes que mais atuaram foram Fernando Ribeiro de Oliveira e Mábio Antônio Macedo, ambos com 14 edições.



quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Wikileaks: Cyberguerra, em gotas





Por Sérgio Malbergier


Não é o conteúdo, mas a forma a grande novidade do WikiLeaks, a notória e obscura organização que vazou na rede mundial toneladas virtuais de documentos da diplomacia americana.

O episódio vai entrar para a história mais como um marco da emergente, opaca e assimétrica cyberguerra global do que pela rica coleção de obviedades e fofocas ultraqualificadas reveladas até agora.

Quem é o inimigo dos EUA neste caso? O esquisito Julian Assange, fundador do Wikileaks? Ou seus apoiadores? Quais apoiadores? Seria ele um testa de ferro? De quem?

Uma coisa sabemos: o ataque do Wikileaks contra os EUA mostra como mesmo o país mais poderoso do mundo pode sangrar diante de um inimigo minúsculo, mas incontrolável.

A prisão de Assange no Reino Unido por acusação de estupro na Suécia e o cerco aos sites que publicam suas gotas de informação não parecem capazes de estancar o vazamento. 

E há promessas/ameaças de que chumbo mais grosso vem por aí.

Rumores sobre a divulgação iminente de documentos comprometedores de um dos maiores bancos do mundo derrubaram suas ações na Bolsa de Nova York.

É uma guerra que de virtual não tem nada e que pode ser travada entre pessoas, empresas, organizações, países ou qualquer combinação desses atores.

Sites de pessoas e organizações que de alguma forma ajudaram no cerco ao WikiLeaks e na prisão de seu chefe sofrem agora cyberataques furiosos do que dizem ser hackers solidários.
E hackers podem ser de solitários cavaleiros da web a militares armados de super computadores.

Todos somos hackers. 

Pense na sua capacidade de acessar, armazenar e divulgar dados sobre terceiros. 

Ela é imensa. E não pára de crescer. 

O mundo real está cada vez mais convergente com o mundo digital.

Nossa dependência total da internet mostra como a rede mundial é o fenômeno mais importante no mundo hoje. 

Não pode haver nada mais poderoso do que conectar todas as pessoas do mundo ao mesmo tempo e sempre.

Mal começamos a sentir os efeitos desse novo "big bang". Para o bem e para o mal.
O WikiLeaks é só um aperitivo do que vem por aí. Prepare-se se puder.


Sérgio Malbergier é jornalista. Foi editor dos cadernos Dinheiro (2004-2010) e Mundo (2000-2004), correspondente em Londres (1994) e enviado especial da Folha a países como Iraque, Israel e Venezuela, entre outros. Dirigiu dois curta-metragens, "A Árvore" (1986) e "Carô no Inferno" (1987). Escreve para a Folha.com às quintas.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Campos Belos deseja campus do Instituto Federal de Goiás

Audiência pública na Câmara de Vereadores do município

Em audiência pública, realizada na última semana em Campos Belos, o reitor do Instituto Federal de Goiás (IFG), professor Paulo César Pereira, avaliou a possibilidade de oferta de cursos de extensão na cidade.

O objetivo é atender as demandas da região do nordeste goiano, sudeste de Tocantins e sudoeste da Bahia.

As demandas e potencialidades da cidade foram apresentadas pelo prefeito de Campos Belos, Neudivaldo Xavier de Oliveira Sardinha, que expôs a necessidade de instalação de um campus do IFG na cidade.

Paulo César ressaltou que será estudada a proposta da oferta de cursos de extensão por meio da instalação de um polo do Campus Formosa em Campos Belos.

Diretor do Campus Formosa, João Marcos Bailão de Lima, afirma que não foram estabelecidos prazos para conclusão dos estudos, mas que a Pró-reitoria de Extensão, juntamente com a direção do campu,s darão andamento às questões.

 Estiveram presentes na audiência autoridades municipais, estaduais, representantes do setor privado, diretores de escolas, além do Pró-reitor de Extensão do IFG, Aldemi Coelho Lima, o diretor-geral do Campus Formosa, João Marcos Bailão de Lima, e do ex-servidor da Instituição, João Barbosa da Silva.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Camposbelense ou campos-belense? Eis a dúvida

Vista parcial da cidade de Campos Belos-GO

Segundo a Academia Brasileira de Letras (ABL), os adjetivos gentílicos, que são adjetivos que se referem ao local de nascimento, quando derivados de nomes compostos, são hifenizados.

Assim, quem nasce em  Belo Horizonte, tem-se belo-horizontino;  em Mato Grosso, mato-grossense; em Juiz de Fora, juiz-forano.

Então, tenho que para quem nasce em Campos Belos, seria campos-belense.

Ao escrever matérias sobre a cidade de Campos Belos, referíamos sempre a camposbelense, como assim está inserido no preâmbulo da Lei Orgânica do munícipio:
PREÂMBULO

"Nós, representantes do povo camposbelense, munidos do poder de elaborar a Lei Orgânica do nosso Município, baseada no Art. 29 da Constituição Federal e Art. 62 da Constituição Estadual, dando continuidade à criação da nova Ordem Política e Jurídica Nacional, é que, sob a proteção de Deus, promulgamos a seguinte Lei Orgânica do Município de Campos Belos, Estado de Goiás:"

Como resolver a questão, se a própria Constituição trata o adjetivo gentílico sem o hífen?

O que diz a gramática.
Os dois elementos hifenizados mudam para o plural quando: 

1) substantivo + substantivo - como em: couves-flores (couve-flor)
2) adjetivo + substantivo - como em: más-línguas (má-língua)
3) numeral + substantivo - como em: quintas-feiras (quinta-feira)
4) substantivo + adjetivo, que é o nosso caso, como em: cachorros-quentes (cachorro-quente).

Assim, campos-belense (singular)  e campos-belenses (plural).

Recorremos as dois nomes da cultura campos-belense: o poeta João Beltrão Filho e o professor, pesquisador, escritor e poeta Adelino Machado.

E a dúvida permaneceu. 

Sintetizamos o que disse Adelino Machado. 

"Tivemos, durante a elaboração de nossa lei orgânica, por volta de 1992, um intenso debate sobre nosso adjetivo gentílico.

À época a revisão coube ao nosso mestre João Magalhães Cavalcante.

Então percebeu-se que o fato de o substantivo se situar no plural CAMPOS e não CAMPO,  como é o caso de CAMPO BELO - MG.

Com isso se manteve CAMPOSBELENSE no texto daquela lei e não não CAMPOBELENSE como foi sugerido.

No entanto uma discussão em torno de uma questão linguística tão importante é sempre saudável e bem-vinda.

Acho que devemos aprofundar e então aprendermos com esses questionamentos", afirmou o professor.

Bem, na dúvida, vamos adotar o que reza a ABL:  em nossos textos, de agora em diante,   quem nasce em Campos Belos, Goiás,  recebe o adjetivo gentílico de CAMPOS-BELENSE. 

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Complexo do Alemão: Tropa de Elite influencia, espiral do silêncio é quebrado, mídia muda de lado

 
"Vítimas do Sistema"


Capitão Nascimento, um novo heroi nacional
Policiais civis no Tropa de Elite real







































Por Dinomar Miranda 

A invasão do Morro do Alemão, no último fim de semana, pode ser considerada uma continuação do filme Tropa de Elite, uma nova versão do cineasta  José Padilha e do competente ator Wagner Moura.

Os ingredientes estavam todos lá: BOPE, Caveirões, favelas, defensores dos direitos humanos, traficantes e mídia ao vivo 24 horas.

Apesar da realidade ser bem mais complexa e mesmo que alguns torçam o nariz, a verdade é que o filme Tropa de Elite contribuiu sobremaneira para a tomada do Complexo do Alemão.

O filme foi um divisor de águas.

Quando a primeira versão de tropa de elite surgiu, com os berros ensurdecedores do Capitão Nascimento,  logo uma gritaria pipocou em jornais, televisão e na mídia em geral.

Eram os patrulheiros ideológicos de plantão.  Sim, eles existem.

Tacharam o filme de fascista, de fazer propaganda da polícia violenta e dos métodos de tortura usados pelos policiais.

Os patrulheiros ideológicos dominaram a cena ao longo de décadas. 

No cinema brasileiro, os bandidos sempre foram os mocinhos e a polícia sempre o lado mal que deveria ser derrotado.

 “Pixote” , “Carandiru”, “Cangaceiros” e “Bandido da Luz Vermelha” são quatro bons exemplos.

Com o sucesso estrondoso do filme, com mais de 20 milhões de assistência (Tropa 1 e 2), a sociedade civil  e até mesmo as autoridades mudaram o modo de como viam as coisas.

Com Tropa de Elite, bandido se tornou bandido e polícia, polícia.

Houve uma inversão de papéis, antes arraigado no cinema.

A chiadeira dos ideológicos foi suplantada pela multidão, que parou e foi ao cinema assistir aos filmes.

Mas, a mais espetacular mudança  de paradigma ocorreu  na cobertura jornalística. 

É verdade.

Tropa de Elite contaminou a mídia.

No estudo da comunicação, há uma teoria denominada “espiral do silêncio”, proposta pela pesquisadora  alemã Elisabeth Noelle-Neumann, na década de 60.

Resumidamente, no quesito opinião pública, as pessoas tendem a não revelar a sua opinião  quando verifica que a grande massa de opiniões no ambiente em que ela vive é divergente.  

“Penso de uma maneira, mas não exponho o que penso, simplesmente para mão ser recriminado ou discriminado”.


Assim parece ser nas redações da grande mídia. 

A cobertura jornalística, nas questões policiais, sempre foi com o enfoque dos filmes.

A polícia era o  aparelho repressor do estado e os  bandidos as vítimas do sistema.

E isso acontecia porque reinava nas redações a opinião daqueles velhos “líderes de opinião” que representavam os patrulheiros ideológicos, de todas as matizes, inspirados  quase sempre no pensamento marxista da escola de Frankfurt.

Quem pensava de maneira diferente não ousava expor as suas convicções.

Tinha medo. Eis o efeito do espiral do silêncio.

Veja  o que ocorreu neste fim de semana.

Passei o tempo todo ligado nas emissoras abertas e na Globo News, que transmitiu o tempo todo  “o filme do Alemão”.

Das dezenas de pessoas entrevistadas, não vi uma única voz dos direitos humanos ou daquelas pessoas que aparecem nessas horas para defender  as “vítimas do sistema”.

Mas eles estavam presentes.

O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ) ,  que inspirou o personagem Diogo Fraga, de Tropa de Elite 2, um deputado que consegue êxito nas urnas por causa da militância em defesa dos direitos humanos, estava no contexto das operações no morro do Alemão.

Como no filme, ele estava atuante e  participou no sábado das negociações na tentativa de conseguir a rendição dos traficantes isolados no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.

Para evitar um banho de sangue, o deputado Marcelo Freixo conversou com o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, com lideranças das favelas do Alemão e com o coordenador do AfroReggae, José Júnior, que esteve com traficantes para que os criminosos se entregassem.

“Como Fraga, Freixo é professor de história, militante dos direitos humanos, conquistou mandato de deputado do Rio em razão dessa militância, comandou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou as milícias no estado e, ao longo do tempo, passou da condição de “defensor de bandido” – pecha que sempre recai sobre quem defende os direitos humanos – para ser uma referência no trato com a violência carioca”, assinala o jornal o Estado de Minas. 

O deputado foi o segundo mais votado na disputa pelo Legislativo do Rio. Conquistou a reeleição com 177 mil votos

Desta vez as vozes dele e de outros ideológicos foram caladas.  

A grande imprensa e, por fim,  a “ opinião pública” estavam do lado do aparato do estado, que neste fim de semana era o libertador.

E mais, a grande operação só se realizou porque os dirigentes políticos sentiram o clima político propício, logo na quarta-feira. 

Com a mídia a favor, todos quiseram tirar proveito.

As autoridades viram que o risco era pequeno, que não seriam acusados de torturadores ou detratores dos direitos humanos.

Ao contrário, virão que seriam tratados como herois.

Logo, o impossível  aconteceu.

Forças Armadas, Polícia Federal e, imagine, Polícia Civil e Polícia Militar cariocas, eternas rivais, se juntaram numa grande coesão para o bem.

Assim, o filme de José Padilha pode ser considerado como uma das grandes causas da mudança de comportamento da mídia, das autoridades, das forças de segurança e da opinião pública.

Não foi a única, mas a principal.

Contribui para a mudança de atitude.

Bastou a mudança de comportamento, do romantismo exacerbado que protegia os reais bandidos para um pensamento realista e prático.

Nas palavras da Globo, o Rio Contra o Crime, o bem contra o mal. 

Neste filme, ao menos nesta batalha,  venceu o bem. 

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Lula concede entrevista exclusiva a blogueiros


Texto do "O Escrevinhador", da Revista Carta Capital, que  participou da entrevista.  

A dinâmica da entrevista não foi a ideal, certamente.

Mas era a única possível: só uma pergunta por entrevistado, sem possibilidade de réplica, para que os outros blogueiros pudessem perguntar também (em coletivas “convencionais”, repórteres brigam pelas perguntas, atropelam uns aos outros muitas vezes; os blogueiros combinaram de agir de outra forma).

Além disso, faltaram as mulheres (só Conceição Oliveira entrou, via twitcam).

Fizeram muita falta.

Mas o importante é registrar o fato histórico: blogs sem ligação com nenhum portal da internet foram recebidos pelo Presidente da República numa coletiva hoje cedo, no Palácio do Planalto.

E os portais tradicionais (quase todos) abriram janelas na capa para transmitir a entrevista – ao vivo.

Não sei se os leitores têm dimensão do que isso significa: quebrou-se o monopólio.

Internautas puderam perguntar, via twitter.

O mundo da comunicação se moveu. Foi simbólico o que vimos hoje.

A velha mídia vai seguir existindo.

Ninguém quer acabar com ela. Mas já não fala sozinha.

Ao contrário: Estadão, UOL e outros ficaram ligados na entrevista com o presidente.

Entrevista feita por blogueiros que Serra, recentemente, chamou de “sujos”.

Os sujinhos entraram no jogo…

Foi só o primeiro passo. Caminhamos para a diversidade.

O que é muito bom.

Quanto ao conteúdo, importante registrar que Lula anunciou: quando “desencarnar” da presidência (expressão repetida várias vezes durante a coletiva), vai entrar na internet. “Serei blogueiro, serei tuiteiro”.

O presidente deixou algumas questões sem resposta.

Não explicou de forma convincente dois pontos: por que Brasil não abre arquivos da ditadura? E porque Paulo Lacerda foi afastado da PF e da ABIN depois da Satiagraha?

Sobre esse último ponto, Lula chegou a dizer: “Tem coisas que não posso dizer como presidente da República.“

Hum… Frustrante. O mistério ficou. Paulo Lacerda contrariou quais interesses?

Os blogueiros não perguntaram sobre Reforma Agrária.

Falha grave.

Nem sobre saúde.

E sobre política externa ninguém falou; felizmente, Lula desembestou a falar sobre o tema (mesmo sem ser perguntado), contando um ótimo (e divertido) bastidor sobre as conversas dele com o líder iraniano.

Natural que muitas perguntas tenham se concentrado na questão das comunicações.

É essa a batalha que move os blogueiros.

Mas ainda bem que surgiram também outros temas, como Direitos Humanos, jornada de trabalho, fator previdenciário, Judiciário, composição do Supremo.

Numa coletiva para a velha mídia, a pauta certamente seria diferente. Haveria mais perguntas sobre a composição do ministério de Dilma, sobre guerra cambial.

Mas aí seria uma coletiva da velha mídia.

Papel dos blogueiros foi trazer outros temas ao debate.

Poderíamos ter feito melhor, sem dúvida.

Da próxima vez, deveríamos debater melhor a composição da bancada de entrevistadores.

Fiquei um pouco frustrado, também, porque havia a promessa de uma segunda rodada de perguntas. Mas não houve tempo.

Parte do jogo.

Importante é que esse canal está aberto.

Tentei, durante a entrevista, resumir o que Lula ia falando. Um resumo falho em vários pontos. Mas serve como uma primeira leitura.

Assista ao vídeo da entrevista

Texto do "O Escrevinhador", da Revista Carta Capital, que  participou da entrevista.

Mídia convencional não gostou

Veja o que a Folha On Line (do Grupo Folha de São Paulo) publicou:


"A primeira entrevista já concedida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a blogueiros foi marcada por críticas à grande imprensa -tanto por parte do presidente quanto dos entrevistadores.


Dez blogueiros autoclassificados de "progressistas" participaram da entrevista, acertada com o Palácio do Planalto após o 1º Encontro de Blogueiros Progressistas, realizado em agosto, em São Paulo.

Do grupo, apenas dois podem ser considerados neutros.

O restante é de blogs que fazem defesa do governo ou que, durante a campanha, se alinharam com a candidatura Dilma Rousseff.

O blog "Amigos do Presidente Lula", não previsto inicialmente na lista divulgada pela Presidência, também participou da entrevista coletiva, realizada na manhã de hoje, no Palácio do Planalto.

A entrevista durou cerca de duas horas.

"Das dez perguntas formuladas pelos blogueiros, apenas três buscaram mostrar alguma contradição de Lula e seu governo.

Uma sobre uma suposta negligência do governo na política em relação a uma eventual punição aos torturadores da ditadura militar, outra sobre o mau desempenho do PT no Acre, e uma última sobre as razões da saída do ex-diretor geral da PF, Paulo Lacerda, do governo, na esteira da Operação Satiagraha.

Um dos blogueiros, Eduardo Guimarães, do Movimento dos Sem Mídia, chegou a se referir ao "PIG".

Coube ao secretário de imprensa do Planalto, Nelson Breve, traduzir a sigla ao presidente: "Presidente, o PIG é o que ele chama de Partido da Imprensa Golpista".

Ao lado do ministro Franklin Martins (Comunicação Social), Lula voltou a afirmar que parou de ler jornais e revistas e disse que, quando sair da Presidência, vai reler tudo para saber "a quantidade de leviandades, de inverdades que foram ditas a meu respeito".

Segundo o presidente, "o jogo não é fácil, sobretudo quando você não quer se curvar, quando você quer ter independência no seu comportamento", disse.

O presidente diz que a imprensa fica assustada com sua popularidade elevada, porque "trabalharam o tempo inteiro para não acontecer isso".

Para Lula, "não existe maior censura do que a ideia de que a mídia não pode ser criticada".

Lula defendeu a regulação da mídia e afirmou que pretende entregar a Dilma um texto sobre um marco regulatório para o setor antes do término do mandato, daqui a pouco mais de um mês. Segundo Lula, o lema da imprensa livre é "cobrar, exigir, questionar e defender quando for preciso defender".

Defendeu, ainda, a criação de "um instrumento para a sociedade acionar judicialmente falsas denúncias" e cobrou responsabilidade da imprensa.

"Vou ter o orgulho de terminar o meu mandato sem precisar ter almoçado em nenhum jornal, em nenhuma revista, em nenhum canal de televisão", disse o presidente.

Lula disse, ainda, que "se alguém for fazer a história do meu mandato e pegar algumas revistas, a impressão que ele vai ter do meu mandato será a pior possível".


O Estadão tratou a entrevista do Presidente Lula com os blogueiros da seguinte forma:


" Em entrevista a blogueiros, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez ontem ataques à "mídia antiga" e, ao mesmo tempo, exaltou a liberdade de imprensa.

"Com todos os defeitos, eu sou o resultado da liberdade de imprensa deste País", afirmou. "Eles pensam que o povo é massa de manobra como era no passado, eles se enganam.

O povo está mais inteligente, mais sabido."


Ao final do encontro, Lula confidenciou que, após deixar o governo, pretende retomar o debate sobre a crise política de 2005. "Quando eu desencarnar da Presidência, vou resgatar essa questão do mensalão no Brasil com profundidade", afirmou, segundo um dos entrevistadores.

A entrevista foi concedida a Renato Rovai, articulador do encontro, José Augusto Duarte, do Blog Os Amigos do Presidente Lula, Rodrigo Vianna, do Blog Escrevinhador, entre outros.

MENSALÃO

Descontraído, depois da entrevista, Lula confidenciou que, quando deixar o governo, quer retomar o debate sobre a crise política de 2005.

"Quando eu desencarnar da Presidência, vou resgatar essa questão do mensalão no Brasil com muita profundidade", afirmou, segundo um dos entrevistadores.

O presidente demonstrou não estar satisfeito com os esclarecimentos sobre o caso que atingiu o Planalto e o PT no terceiro ano do primeiro mandato, avaliou o blogueiro que relatou a declaração dele.

INFORMAÇÃO

"Vocês sabem que eu parei de ver revista, parei de ver jornal. A raiva deles é que eu não os leio. Então, pelo fato de não os ler, eu não fico nervoso.

Mas podem ficar certos de que eu trabalho com muita informação, mas não preciso ler muitas coisas que eles escrevem."

LIBERDADE DE IMPRENSA

"Com todos os defeitos, eu sou o resultado da liberdade de imprensa neste País.

Quem tem que julgá-los não sou eu, não vou ficar xingando.

O que eles se enganam é que eles pensam que o povo é massa de manobra, como era no passado, que eles podem derrotar um candidato, tirar candidato, pôr candidato, eles se enganam.

O povo está mais inteligente, está mais sabido, e eles agora têm que lidar com uma coisa chamada internet que eles não sabiam como lidar."

CONTROLE DA MÍDIA

"Acho que é diferente ser dono de banco e ser dono de um meio de comunicação.

Nós precisamos ter claro: um trabalha com o bolso e o outro trabalha com a cabeça das pessoas.

Então, eu acho que nós temos que ter um certo controle da participação de estrangeiros, sim. A gente não pode abrir mão do controle, essa é a minha tese."

FUTURO MULTIMÍDIA

"Pode ficar certo que eu serei tuiteiro, que eu serei blogueiro, que eu serei... vou ser um monte de coisas que não fui até agora."

ARAGUAIA

"Nós estamos para apresentar o resultado de uma investigação em que participou não apenas o governo, mas a sociedade civil.

E o resultado vai ser o de que não encontramos aquilo que nós queríamos encontrar. Eu ainda não (tenho) o resultado das investigações, mas parece que até agora não foi encontrado nada.

Essas pessoas vão ter que apresentar o relatório para mim para que eu possa passar o relatório para a Dilma. (...) Eu fiz o que eu sabia e o que eu podia fazer na questão de direitos humanos.

Gostaria de ter encontrado os cadáveres que as pessoas queriam que encontrasse. Espero que a Dilma tenha mais sorte do que eu."

TRISTEZA

"O dia em que eu sofri mais aqui na Presidência foi o dia do acidente da TAM no Aeroporto de Congonhas.

Eu nunca vi, nunca vi tanta leviandade. (...)

Ninguém falava de erro humano. Esse foi o dia mais nervoso, mais triste da minha vida. Eu não quero nunca mais que isso se repita."

PLANO DE DIREITOS HUMANOS

"Eu cometi um erro, porque eu disse textualmente que, para aprovar um texto daquela magnitude, a gente deveria ter feito um debate dentro do governo e não foi possível fazer isso.

Então, refizemos algumas coisas que era preciso fazer, sem ferir aquilo que era a principalidade do texto." "

sábado, 20 de novembro de 2010

20 de novembro: dia nacional da consciência negra



Passados mais de dois séculos do fim da escravidão negra no Brasil, ainda persiste a maldita herança do período mais vergonhoso de nossa história.

A escravidão do Brasil, além de ter sido uma das mais cruéis, marcou profundamente a sociedade brasileira.

O tratamento dispensado aos negros traficados da África, ao longo dos  mais de 300 anos, deixou marcas sociais, econômicas e estruturais indeléveis, que tem repercutido, de geração em geração, de forma contudente milhares  e milhares de famílias afrodescendentes.

Somente uma política afirmativa, como a adotada pela Constituição Brasileira, poderá ser capaz de minimizar ( apenas minimizar) a imensa e eterna dívida que nós, brasileiros, temos com o povo negro.

O Dia da Consciência Negra é uma marco simbólico, que serve para relembrar  o quanto de suor e sangue negro foi derramado em prol deste Brasil que conhecemos hoje.

Infelizmente, os benefícios atuais do nosso país, como educação, saúde e prosperidade ainda não chegaram as descendentes de Zumbi e dos outros milhares de heróis negros anônimos espalhados por todos os rincões desta terra brasilis.

Nosso Blog não poderia deixar passar em branco tão nobre data.

E para homenagear os milhões de afrodescendentes, publicamos o poema de um dos mais ativos poetas goianos: João Beltrão Filho.

Desculpe o trocadilho da expressão comum, mas matamos dois coelhos como uma só cajadada, ao também fazer referência a um dos ícones da cultura de Campos Belos e do estado de Goiás.

O Poema Negro Aroeira,de João Beltrão Filho, segue abaixo.