quinta-feira, 23 de julho de 2009

O Jornalismo e o tição

* Alfredo Vizeu

O ex-governador Leonel Brizola foi perguntado certa vez por um repórter sobre sua possível decadência política. Tranqüilo e com voz firme ele respondeu: “Eu sou que nem o tição, é só soprar que eu incendeio”.

O tição é um pedaço de lenha acesa ou queimada, um braseiro, colocado entre gravetos e lenhas nos fogões do interior do Estado do Rio Grande do Sul para ajudar a fazer o fogo nas manhãs frias. Como disse Brizola, um simples sopro e a chama toma conta de tudo.


Pois o exemplo do ex-governador serve como uma boa analogia para explicar como jornalistas, estudantes de jornalismo, professores, pesquisadores e a sociedade de uma maneira geral sentiram-se incomodados com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de abolir a obrigatoriedade do diploma de Jornalismo para o exercício da atividade profissional.

Sopraram o tição e aumentam cada vez mais as manifestações em todo o País, de legislativos estaduais a deputados e senadores, bem como das entidades sindicais na luta pelo restabelecimento do diploma.

A FENAJ e Sindicatos de Jornalistas de todo o País reuniram-se em São Paulo para estabelecer estratégias de ampliação e fortalecimento do movimento.


O Jornalismo não acabou. Está mais forte do que nunca. A decisão do STF, com todo o respeito que os ministros do Supremo merecem, mostrou pouco conhecimento do que é o Jornalismo.

Uma breve leitura dos livros publicados pelo pioneiro dos Estudos e das Teorias de Jornalismo no Brasil, Luiz Beltrão, pernambucano de Olinda, mostraria o impacto que o Jornalismo produz na sociedade diariamente, seja em pequenos acontecimentos e nos grandes.


A título de ilustração – e mais uma vez com todo respeito aos ministros do STF – tomo um curso realizado por Beltrão no Centro Internacional de Estúdios Superiores de Periodismo para América Latina (CIESPAL) para mostrar a centralidade do Jornalismo no Brasil, isso já no começo da década de 60.

No estudo ele apresenta e teoriza sobre a sua atividade no ensino de Jornalismo. O trabalho desenvolvido no Ciespal é transformado em livro, uma apostila com as conferências de Beltrão no Ciespal, ainda não publicado em português: Métodos de La Enseñanza de la Tecnica de Periodismo.


No livro Beltrão, aborda temas como: os processos didáticos para aplicação da aprendizagem do jornalismo; o conceito de jornalismo, suas modalidades e características; o estilo jornalístico; a reportagem policial, entre outros.

Da obra vamos nos deter em três aspectos que consideramos trazer uma interessante reflexão sobre o Jornalismo: a pesquisa, a bibliografia, o jornal-laboratório e a interdisciplinaridade.


Beltrão, sem dúvida, tem uma preocupação constante nas suas obras com a pesquisa sobre o campo do Jornalismo.

Em Enseñansa del Periodismo Beltrão apresenta uma investigação realizada no curso de Jornalismo da Universidade Católica de Pernambuco, com a participação dos alunos, sobre os efeitos da suspensão da circulação dos jornais em função de uma greve dos gráficos.


Como enfatiza Luiz Beltrão, a investigação foi à primeira do gênero no Brasil e, provavelmente, também a primeira na América Latina.

O estudo mostra as conseqüências da falta de circulação de notícias sobre a sociedade durante o período que durou o movimento dos gráficos de 21 de março a 9 de abril de 1963.

A greve afetou os serviços públicos atingindo o interesse coletivo porque as ações governamentais que eram divulgadas nos jornais deixaram de ser comunicadas.


Beltrão mostra também que a área de diversão foi atingida resultando numa pouca procura aos cinemas mesmo com o lançamento, dias antes do término da paralisação, da superprodução Ben-Hur.

Com a volta da circulação dos jornais, a pesquisa identificou que durante as seis semanas seguintes de exibição do filme as sessões estavam sempre lotadas. A investigação mostra ainda que até mesmo os acontecimentos sociais foram afetados.

Festas e homenagens tiveram que ser adiadas em função da baixa assistência.


O estudo indica que a circulação das notícias é uma exigência da própria sociedade e a ausência das mesmas afeta fortemente o cotidiano de homens e mulheres.

A interpretação da realidade como um conjunto de notícias responde a uma expectativa pública e a exigências técnicas. A instituição do Jornalismo atua como uma mediadora entre a realidade global e o público ou audiência que se serve dela.


Uma breve leitura do livro de Beltrão, dentro da vasta bibliografia que temos sobre o campo jornalístico, contribuiria para uma melhor compreensão sobre o que é o Jornalismo. É uma atividade que exige um profissional altamente qualificado.

Por isso, o futuro jornalista deve estar preparado para os desafios das tecnologias digitais, do desenvolvimento da multimídia, das telecomunicações e da Internet, com a convergência de meios e suportes que diluem as fronteiras tradicionais do Jornalismo trazendo para a cena novos protagonistas, novos atores e novos processos (nova geração de jornalistas, professores e empresas jornalísticas).


Mas, o maior desafio é de natureza ética: ser fiel à destinação do Jornalismo como serviço público sem perder de perspectiva as inovações tecnológicas que atualizam constantemente seus gêneros e formatos garantindo a plena integração com as demandas da sociedade.


Por fim, há seis meses, por estar participando da Comissão Superior de Especialistas em Formação Superior para Subsidiar a Revisão das Diretrizes Curriculares de Jornalismo, do Ministério da Educação (MEC), não vinha escrevendo artigos sobre a relevância do Jornalismo para que minha opinião não se confundisse com a da Comissão e comprometesse de alguma forma o trabalho sério e ético que foi realizado.

Agora que o trabalho acabou, sinto-me à vontade para me manifestar publicamente de novo.

Desde já reitero minha defesa intransigente na formação superior em Jornalismo e na exigência do diploma para o exercício da atividade de jornalista.

Respeito às opiniões em contrário, mas, mais de 30 anos de luta como profissional, professor e pesquisador de Jornalismo mostraram-me a centralidade desse campo de conhecimento nas sociedades democráticas.


É sempre bom lembrar as palavras de Ruy Barbosa em Imprensa e o Dever da Verdade: “A imprensa é a vista da Nação.

Por ela é que a Nação acompanha o que lhe passa ao perto e ao longe, enxerga o que lhe malfazem, devassa o que lhe ocultam e tramam, ou roubam, percebe onde lhe alvejam, ou nodoam, mede o que lhe cerceiam ou destroem, vela pelo que lhe interessa, se acautela do que a ameaça”.


Alfredo Vizeu – jornalista diplomado e coordenador do Núcleo de Jornalismo e Contemporaneidade do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFPE

segunda-feira, 20 de julho de 2009

MP pede intervenção estadual no município de Campos Belos

A subprocuradora-geral para Assuntos Jurídico Institucionais do Ministério Público de Goiás, Ana Cristina Ribeiro Peternella França, propôs representação no Tribunal de Justiça pedindo intervenção estadual no município de Campos Belos, na Região Norte do Estado.

O pedido tem como base o descumprimento, pelo município, de ordem judicial expedida a partir da proposição de ação civil pública na qual foi requerida a nomeação dos candidatos aprovados para o cargo de professor.


Conforme a representação do MP, consta que o município não acatou decisão e interpôs recurso ao Tribunal de Justiça, que o converteu em agravo retido.

Dessa forma, os autos retornaram ao juízo de origem, ocasião em que o município juntou petição ao processo informando que o cumprimento imediato de origem, ocasião em que o município juntou petição ao processo informando que o cumprimento imediato da liminar resultaria no esgotamento do objeto da ação, causando prejuízos ao erário.

Isso demonstra, como ressalta a subprocuradora-geral, que o município não cumpriu, nem possui interesse em cumprir a ordem judicial. Ela esclarece ainda que o não cumprimento da decisão atenta contra o estado democrático de direito, em afronta direta à autonomia e independência do poder judiciário.

Entenda

A decisão que gerou o pedido da intervenção foi proferida pelo Tribunal de Justiça em fevereiro deste ano.

O TJ determinou que o município realizasse imediatamente a nomeação e posterior posse de candidatos aprovados para o cargo de professor P-III. A convocação deve ser em número equivalente ao de contratos temporários realizados, ou seja, 12 profissionais, e seguindo a ordem de classificação constante do termo de homologação do concurso.

Com informações do Ministério Público do Estado de Goiás

domingo, 19 de julho de 2009

Bob Flash publicou


O site de baladas Bob Flash publicou o lançamento da Revista Panorama Recife, do Jornalista Paulo Magalhães e a cobertura de TV que fizemos do evento.

Para não passar batido e se perder no tempo, publicamos agora no nosso Blog.

Veja aqui a cobertura do evento

Livros: Ex-diretor da Radiobrás mostra bastidores do poder

"Para gerir a Radiobrás, Eugênio Bucci enfrentou cara feia, corporativismos, puxadas de tapete de ministros, intrigas de assessores e de áulicos palacianos e uma crônica magreza de recursos". - Ricardo Setti, jornalista e escritor

"Em Brasília, 19 horas". Era com este bordão, do programa "A Voz do Brasil", que amigos saudavam Eugênio Bucci às vésperas do início do primeiro governo Lula.

O jornalista estava prestes a assumir o cargo de presidente da Radiobrás, sua primeira experiência na vida pública após trajetória notável em grandes redações do país.

A meta de Bucci era clara: fazer a estatal cumprir seu papel constitucional de servir à sociedade, atendendo o direito à informação.

Em quatro anos à frente da Radiobrás, acumulou vitórias e derrotas.

Agora, de volta ao ofício de repórter, Eugênio Bucci oferece aos brasileiros um dos mais reveladores e corajosos relatos jamais produzidos sobre os bastidores do poder na capital do país: o livro"Em Brasília, 19 horas", da editora Record, disponível na Livraria da Folha.

A partir da rara perspectiva de ocupante de um cargo de chefia, Bucci expõe as engrenagens da estatal e também os meandros do funcionalismo público em Brasília, com revelações inéditas sobre a máquina de comunicação do governo federal, um dos pontos nevrálgicos mais visíveis e menos estudados do poder executivo.

Com texto cortante, o jornalista escancara a estrutura paquidérmica da estatal sem poupar nomes, relatando casos de privilégios e uso da Radiobrás para propaganda governamental, e nomeando os personagens que fazem girar uma máquina apodrecida, movida pela troca de favores e pela bajulação aos poderosos.

O ex-diretor da Radiobrás expõe também sem pudor as resistências que enfrentou, incluindo alguns "puxões de tapete" vindos diretamente de ministros de Lula.

"Não havia um só decreto que me impedisse de seguir na direção mais óbvia; a impossibilidade estava na cultura, nos hábitos, nas práticas e nas idéias feitas", explica Bucci no primeiro capítulo do livro.

Esse raro e singular relato faz de "Em Brasília, 19 horas" um documento obrigatório para entender o Brasil.

E, também, um título de referência para estudantes e profissionais de comunicação.


Leia o primeiro capítulo do Livro

Com informações da Folha de São Paulo

sexta-feira, 17 de julho de 2009

De volta aos textos

Amigos internautas,

Gostaria de pedir desculpas pela demora, cerca de 10 dias, sem atualizar a nossa página.

Mas foi por uma boa causa. Com a proximidade da prova do TCU, “concurseiro” que se preza tem que reservar pelos menos duas semanas de intensivo, com direito a esquecer a vida fora das matérias.

E foi isso que ocorreu comigo.

É isso. Mas voltamos esta semana com os nossos textos.

A propósito, continuo repercutindo a última viagem que fiz a Campos Belos. Encontrei muita coisa interessante, que, no meu juízo, deve ser de seu conhecimento.

Catador vive agonia do desemprego em pleno aterro sanitário

Catador virou mendigo





O catador Bonfim Pereira tem pouco mais de 50 anos de idade, mas aparenta ser muito mais velho.

Ele foi vítima do grande mal que afetou e ainda aflita grande parte da população do nosso país: pobreza, trabalho diário ao sol, falta de alimentação adequada, falta de um emprego decente e dignidade.

As rugas em seu rosto contam uma história semelhante a de muitos brasileiros.

Pelas idas e vindas à procura de melhoras em sua condição social, andou pela Bahia, Tocantins e Goiás.

Fixou-se definitivamente em Campos Belos acerca de 20 anos, onde constituiu família e uma casinha na periferia da cidade.

Morador de um bairro próximo ao lixão, logo encontrou nos rejeitos urbanos uma fonte de renda e meio de sobrevivência.

Não sabia ele, há 14 anos, que aquela profissão iria se tornar um dos ofícios mais benéficos para humanidade e um dos mais valorizados no mundo civilizado.

Do poder público, recebeu um voto de confiança e a promessa de que sairia da informalidade, do improviso.

Deixaria de ser um simples catador de papelão e passaria a ter uma profissão.

Com investimento da Prefeitura da Cidade, em meados da década de 90, ganhou, juntamente com cerca de duas dezenas de colegas de profissão, uma dádiva: uma usina de reciclagem, com maquinaria completa, da esteira de separação à máquina de prensagem.

Mal sabia ele que aquilo poderia se tornar um passaporte para uma vida digna. Migraria da pobreza para o ambiente de uma microempresa.

A usina significaria a criação de uma associação e a chegada de uma série de outros privilégios, como o fortalecimento do grupo social e a obtenção de uma renda básica mensal.




Seu portfólio de negócio cresceu e logo passou a incluir alumínio, garrafas pets, plásticos, papelão, metais diversos.

Um sonho para aqueles homens e mulheres, inseridos no último degrau da escala social de uma cidade do interior.

Mais os desafios advindos de todo trabalho não dependeriam apenas da força de vontade daquele grupo. Não dependeriam apenas de seus trabalhos diário e braçal.

Mais do que isso, precisariam do apoio público irrestrito, de um acompanhamento intelectual e assessoramento firme e direto, para que o negócio pudesse prosperar.

Afinal, o ofício não era só catar e selecionar o lixo. Alguém também teria que negociar, transportar, encontrar um destino correto e lucrativo para os produtos.

E era nesse ponto que mais necessitavam do Poder Público. Como acontece em milhares de prefeituras Brasil afora, os planejamentos de governos são apenas para 4 anos.

As idéias postas em prática por um administrador não servem aos anseios de gestor seguinte.

E foi isso que aconteceu com a usina de reciclagem de Campos Belos. Mal começou os anos 2000, os parcos recursos foram cortados.

O pouco apoio que ainda existia fora se escasseando até chegar ao total abandono.

O Poder Público desistiu e muitos dos catadores também. As dificuldades só aumentaram. Os compradores desapareceram e os preços despencaram. Hoje, os produtos compráveis estão bem abaixo de qualquer mercado competitivo.



Mas Sr. Bonfim, ao largo de seus 50 anos, apesar de solitário, continua ali, firme, separando e reciclando o que sociedade rejeita.

Entretanto, a mercê da sua insistência em não parar, é um catador desempregado. Vítima não da crise econômica, mas do descaso de meia dúzia de pessoas que tinha o dever de apoiá-lo.

Usina apodrece em Campos Belos




Enferruja a céu aberto um dos mais visionários projetos de investimentos da cidade de Campos Belos, nos últimos 30 anos. Uma usina completa de reciclagem de lixo está abandonada e virando sucata de ferro velho, a não mais do que quatro quilômetros da sede do Poder Executivo Municipal.

A Usina foi criada na gestão do ex-prefeito Anjo Galvão, em meados da década de 90 e tinha como intenção ser mais social do que empreendedora.

O objetivo era dar dignidade e expectativa de emprego e renda para cerca de duas dezenas de pessoas que sobreviviam catando lixo.

A maquinaria moderna foi comprada e instalada no aterro sanitário da cidade. Toda uma estrutura foi montada para receber os equipamentos, inclusive com a construção de um galpão para a Associação de Catadores e de uma casa de força.

Passados cerca de 10 anos da ousada e competente iniciativa, o projeto e todo o maquinário estão em ruínas.

O que era para ser uma escola de empreendedorismo e uma válvula de escape da sociedade marginalizada se encerra num monte de ferro velho, sob o mau cheiro do lixo e o olhar triste e desconsolado do único catador que sobrou.

E o que a Europa e o mundo civilizado tratam como negócio de primeira grandeza, em Campos Belos apodrece e entra para a história como projeto de uma “única gestão” e de um prefeito desvairado e preocupado com meia dúzia de lixeiros.



segunda-feira, 6 de julho de 2009

16ª Exposição Agropecuária de Campos Belos começa dia 9

A 16ª Exposição Agropecuária de Campos Belos vai ser aberta oficialmente no próximo dia 9, com a expectativa de dois mil participantes.

O evento vai ser realizado no Parque de Exposições Agropecuárias do Sindicato Rural do município, durante três dias.

Além dos rodeios, a programação da festa inclui shows do grupo Mala sem Alça e da dupla Máida e Marcelo.

Mais informações: (62) 3201-8905