quinta-feira, 18 de junho de 2009

O fim da obrigatoriedade do diploma para jornalista foi determinado ontem, 17 de junho, pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Enfim, eles conseguiram. O Supremo se curvou diante da pressão dos endinheirados e donos dos conglomerados midiáticos deste país.

Neste momento, se felicitam a ANJ (Associação Nacional dos Jornais), a Sertesp (Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no Estado de São Paulo) e a ABERT ( Associação Brasileira de Rádio e Televisão), entidades que representam as empresas de mídia e seus donos.

Cai em desgraça a FENAJ ( Federal Nacional dos Jornalistas) e seus sindicatos afiliados. Saem enfraquecidos os jornalistas de todo o Brasil.

Riem à toa os poderosos donos dos monopólios da comunicação, que dominam o Brasil de norte a sul. Se já era difícil jornalista falar o que queria em suas empresas, imagine agora. É a chamada missão impossível.

Perde a sociedade. Perde a democracia.

Agora somos iguais a cozinheiros, tomando emprestada a digníssima fala do presidente do STF, Gilmar Mendes.


Senhores, não percam tempo. Podem correr ao Ministério do Trabalho e assinarem suas carteiras de jornalistas. Qualquer um poder ser. Desembargadores, pedreiros, médicos, pintores, poetas, lixeiros, carpinteiros, escritores, advogados...

A partir de hoje, todo mundo que achar conveniente, pode se declarar jornalista.

Engraçado, estão usando dois pesos e duas medidas. A mesma regra não vale para as outras áreas co-irmãs da comunicação social. Pura incoerência ou perseguição?

O mesmo diploma continua sendo exigido dos publicitários e dos relações públicas.

Eles, publicitários e relações públicas, podem ter uma segunda profissão: jornalistas.

Mas nós, jornalistas, não podemos sequer pisar numa agência de publicidade sem um diploma à mão.

Tudo estava no script. Graças à liberdade conquistada, com suor e sangue, por muitos jornalistas do passado, é que o Brasil alcançou um patamar aceitável de liberdade de expressão e de imprensa e com isso conseguiu desenvolvimento em muitos aspectos nos últimos 20 anos.

E graças a esses abnegados jornalistas profissionais é que foram revelados conhecimentos e segredos, antes guardados e emparedados em gabinetes de Brasília e dos palácios políticos Brasil afora.

Foi por intermédio desses diplomados jornalistas que a sociedade pode conhecer como agem, em seus tronos, figuras como as do Sr. Gilmar Mendes e do Sr. José Sarney.

Quem os diga o mega-empresário Daniel Dantas e as netas e sobrinhas, empregadas secretamente no Senado Federal. Bem, mas afinal, a culpa é do Senado!!

E ainda pedem para que se respeitem os chefes dos poderes e as instituições da República.

Antes de finalizar, façamos o mea culpa. Os jornalistas também têm culpa no cartório. Por serem desunidos, esparsos e sem o são corporativismo, perderam muitas chances de se fortalecerem como uma categoria profissional. E a principal delas foi deixar escapar a formação do Conselho Federal de Jornalismo. Agora é chorar o leite derramado.

Uma coisa é certa: não nos daremos por vencidos. Vamos honrar até o fim nossos juramentos de jornalistas profissionais diplomados. Não se joga 40 anos assim, pelo ralo. Avante FENAJ!!

Um comentário:

  1. Lamentável!

    É incrível como no Brasil o ERRADO é que está certo e o CERTO é sempre o errado. É facil de entender o que se deseja com uma medida dessas. Agora toda e qualquer denúncia publicada em um jornal, numa rádio ou TV será facilmente desacreditada, sabe-se lá quem escreveu isso? Afinal no Brasil qualquer um pode escrever escrever o pensa. Agora falta pouco para qualquer um ser um Juiz, um Ministro do Supremo e afins. Uma vergonha, me sinto lesado e andando para trás, retrocedendo a história.

    Alexandro Diniz
    Radialista

    ResponderExcluir

Os cometários aqui publicados são de inteira responsabilidade dos autores. Este Blog não se responsabiliza pelos comentários postados pelos leitores, que poderão ser responsabilizados e penalizados judicialmente por abuso do direito da livre manifestação.

De Campos Belos (GO): Escolinha K10 mede forças com o Goiás e Atlético Goianiense

Por Morgana Tavares, A Escolinha de Futebol K10, presidida pelo ex-jogador de futebol profissional Kássio Fernandes, compareceu pe...