sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Festa no chafariz, show de belas fotos e um país a beira do caos ambiental


O Haiti é um país a beira de um colapso ambiental e o que é pior, com um déficit gigantesco de água potável. Por ser uma ilha montanhosa, a oferta da água já era escassa.

Nos últimos 50 anos, com a ininterrupta ocorrências de crises políticas e sociais, a falta de investimento em coisas básicas, como saneamento e energia, e o crescimento em progressão geométrica da população, a questão da água de beber virou um problema gravíssimo.

O desmatamento generalizado, principalmente para cozinhar, o assoreamento dos leitos dos poucos rios e contaminação dos lençóis freáticos, pela lama podre dos esgotos e pela salinização, criaram uma terra sem água.

As cidades, inclusive a capital, não têm água encanada. A população, já abatida pela pobreza, gasta boa parte do tempo ( e levanta de madrugada!!) para uma guerra, sem trégua, atrás do líquido. Baldes, latões e as filas, semelhantes a formigas-de-correição, integram a imagem social, como se fosse o vai-vem de trabalhadores comuns de uma cidade operária.

A penúria pela água afeta principalmente as crianças. Os poucos poços artesianos, furados principalmente pelas tropas brasileiras, tornam-se um ponto de alívio e de poucos momentos de festa.

Mas as notícias não são boas para o Haiti. Se não bastasse o problema ambiental de sua própria “cozinha”, a ilha poderá ser uma das mais afetadas pelo aquecimento global. A estimativa de cientistas, que nesta semana fez mais uma alerta para o efeito estufa num relatório das Nações Unidas, é que com o derretimento das calotas polares, os oceanos e mares subam pelos menos sete metros, um desastre sem precedentes para o Haiti.

Na seqüência das fotos a seguir, um flagrante de família inteiras de Tabarre, um bairro, digamos, menos pobre da capital, se deleitando numa fonte de água, um chafariz que jorra 24 horas por dia. As fotos falam por si...

As crianças, todas elas, são obrigadas a dar o quinhão no carregamento de água




A mesma água para o banho e higiene bucal




Saquinho de água valioso na quente Porto Príncipe







quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Pernambuco em mais um fim de semana violento, com taxas de homicídios comparadas ao Haiti

Gente, enquanto os gestores fecham os olhos, a matança continua em Pernambuco, particularmente em Recife.

Os números registrados no último fim de semana (prolongado de Finados) foi assustador. Em três dias, da zero-hora da sexta à meia-noite do domingo, foram 47 pessoas assassinadas no estado. Treze apenas na Região Metropolitana do Recife.

Segundo o site especializado em segurança pública, PEbodycount (http://www.pebodycount.com.br/), só hoje (6-11), foram mais 10 mortes. No mês (novembro!!), são 70 assassinatos e no ano, com registro desde 1º de maio, são 2.112 vidas ceifadas.

Nem o Haiti, país que vive uma situação delicadíssima de ordem interna, governo frágil, pobreza generalizada e tudo de ruim em termo de organização social, tem um índice tão alto de homicídios. Agências de notícias chegaram a publicar recentemente que a violência urbana tinha caído no Haiti e que a República Dominicana, país vizinho, já tinha índices de homicídios muito maior.

Principalmente depois da queda de Cité Soleil, a maior favela do Haiti, que até março deste ano ainda era dominada por gangues armadas. Mas é fato que no Haiti não há estatísticas precisas e nem um sistema judiciário que permita dizer a quantidade de presos ou o número de crimes cometidos.

No último dia 25 de outubro, o Ministério da Saúde divulgou uma pesquisa sobre homicídios no Brasil. No ranking é levada em consideração a taxa de homicídios para cada grupo de 100 mil habitantes registrada no ano passado.

Quanto à mortalidade por arma de fogo em capitais, Maceió (AL) ocupava o primeiro lugar, com taxa de 75,4 mortes por 100 mil habitantes no ano de 2006. Em seguida vinha Recife, com taxa de 61,5. Na seqüência, aparecem Vitória (ES), Belo Horizonte (MG) e Rio de Janeiro (RJ), com taxas de 58,9, 35 e 33,4 por 100 mil, respectivamente.

Mas na segunda-feira (5-11), o Jornal da Globo noticiou que Recife já aparece na primeira colocação, com o índice de 91 para cada 100 mil. E não duvide desses números. Só andando pelas ruas do Recife para sentir a sensação de insegurança.

Nos últimos meses, quase dez pessoas morreram no volante ao fugir de assaltos nos semáforos da cidade...

No Haiti, gangues dominavam os bairros pobres e populosos


Até crianças pegavam em armas


População mergulhada na imundice




domingo, 4 de novembro de 2007

Um país sem idosos


Um dos grandes reflexos sociais da pobreza hiatiana pode ser comprovado no perfil etário da população. A expectativa de vida no país não ultrapassa aos 49 anos, um dos índices mais baixos do mundo e o pior das Américas.

O índice de 49 anos na expectativa de vida foi atingido pelos Estados Unidos no início do século XX. Só para efeito de comparação, hoje o Japão é o primeiro colocado neste ranking, com 81,6 anos de expectativa de vida. Em seguida vêm Suécia (80,1), Hong Kong (79,9), Islândia (79,8) e Canadá (79,3). O último do ranking é a Zâmbia, com 32,4 anos. Próximos ao Brasil (71,9) estão países como Colômbia (72,2) Suriname (71,1) China (71,0), Paraguai (70,9) e Equador (70,8).

O Haiti tem cerca de 8,5 milhões de habitantes, com quase 4 milhões de crianças e adolescentes. O que impede o povo hatiano de chegar na fase idosa é um emaranhado de problemas. O principal deles é a fome, seguida da falta de saneamento básico, vacinas, antibióticos, cuidados médicos preventivos e eletivos bem como educação e informação.

O pior dos males que assombra o país é a desnutrição. Aproximadamente quatro milhões de pessoas passam fome no Haiti, quase a metade da população, 47%, segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO). Os dados são de outubro do ano passado. As crianças são as principais vítimas: 23% delas são menores de cinco anos, não têm o que comer e sofrem com a desnutrição crônica.

Uma nação sem expectativas




População é jovem


Haiti: um país onde ratos ainda comem gente

A pobreza generalizada do Haiti, com seus reflexos em todos os setores (econômicos, sociais, culturais) castiga impiedosamente a população.

A falta de saneamento básico, vacinas, antibióticos, cuidados médicos preventivos e recuperadores gera situações inusitadas e inadmissíveis para a humanidade, que sonha e se encanta com as tecnologias digitais e com a “riqueza” da globalização econômica.

A foto, chocante e desumana, é uma prova cabal e retrato do Haiti. A mãe, descuidada, deixou a filhinha deitada no chão de sua residência em Cité Militaire, um bairro populoso e pobre da capital Porto Príncipe. A garota, deficiente e desnutrida, foi literalmente comida por ratos, peste que domina o subterrâneo da capital. Foi socorrida a tempo e atendida num posto médico da ONU.

Mais de cem soldados da força da ONU no Haiti são afastados por abuso sexual

Segundo a agência de notícias AFP, em Nova York, Cento e oito soldados do Sri Lanka, pertencentes à força das Nações Unidas mobilizada no Haiti, serão repatriados por comprar serviços sexuais, inclusive de menores, anunciou quinta-feira (1 de novembro) a porta-voz da ONU, Michele Montas.

Estes integrantes do contingente da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (Minustah), "serão repatriados sábado como medida disciplinar", declarou Montas à imprensa.
Ela informou que a decisão foi tomada depois "de informações relacionadas a casos de exploração sexual e de abusos cometidos por membros de um batalhão do Sri-Lanka em vários pontos do Haiti".

Montas precisou que algumas mulheres haitianas envolvidas no escândalo eram menores de idade.