quinta-feira, 4 de outubro de 2007

A assombrosa situação das crianças


As crianças nascidas no Haiti têm maiores probabilidades de morrer durante a primeira infância do que em qualquer outro país do hemisfério Ocidental। A projeção consta no relatório “A infância em perigo”, lançado pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância). “Há poucos lugares no mundo onde é mais difícil ter uma infância saudável do que no Haiti,” constata o representante do Unicef no país caribenho, Adriano González-Regueral.

Para milhares de meninos e meninas haitianos, a vida é uma dura luta diária। Nas zonas rurais, eles não têm sequer acesso aos serviços minimamente básicos, sendo muitas vezes obrigados a caminhar durante horas para chegar a um centro de saúde ou a uma fonte de água। Nas cidades, sem luz e água tratada, a violência e os maus-tratos as tornam reféns de um ciclo do qual é quase impossível libertarem-se. Uma pesquisa independente e recente, coordenada por Royce Hutson, e divulgada pelas agências de notícias internacionais, afirma que cerca de 32 mil mulheres e crianças foram estupradas em Porto Príncipe, capital, em pouco menos de dois anos. A vítima mais nova tinha seis anos de idade, mostrou uma análise dos 22 meses seguintes à queda do ex-presidente Jean Bertrand Aristide, em fevereiro de 2004. Um em cada quatro estupros foi perpetrado por forças de segurança ou grupos políticos armados.

Os problemas são muitos e as soluções nem sempre chegam na velocidade desejada। Embora a educação seja o caminho para uma vida melhor, muitas famílias não têm possibilidade de enviar os filhos à escola porque o custo é muito elevado. No Haiti não há educação pública gratuita. Apenas 55% delas em idade escolar freqüentam o ensino primário. Em média, o tempo em que permanecem em sala de aula não ultrapassa os dois anos. Um terço dos jovens com idades entre os 15 e 24 anos são analfabetos.

Há milhares de crianças nas ruas। Muitas delas são forçadas a engrossar as fileiras das gangues ou ainda se tornarem membros da subcultura dos “restavek”, que vivem em condições de autêntica servidão doméstica. Estima-se que 300 mil crianças trabalham como domésticas sem qualquer tipo de salário.Royce Hutson disse que os resultados são "chocantes" e indicam que abusos de direitos humanos continuam sendo comuns e sistemáticos no Haiti, apesar dos esforços internacionais de acalmar a situação.

A maior moléstia do século também vitima। Segundo o Unicef, a aids teve um efeito devastador em crianças e jovens do Haiti. Mais de 200 mil crianças haitianas perderam um ou ambos os pais em virtude da doença. A Care, uma instituição sem fins lucrativos que atua em 72 países pobres, diz que este país caribenho tem a maior incidência de aids fora da África. Desde o advento da epidemia nos anos 80, cerca de 300 mil haitianos morreram de aids e mais do que 300 mil vivem com o vírus atualmente. Em 2001, foram mais que 30 mil mortos haitianos em decorrência do HIV/aids, que é cerca de duas vezes o número dos Estados Unidos, um país com 40 vezes mais pessoas.

Mas o pior dos males que assombra o país é a desnutrição। Aproximadamente quatro milhões de pessoas passam fome no Haiti, quase a metade da população, 47%, segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO). Os dados foram divulgados no último dia 31 Outubro. As crianças, claro, novamente são as principais vítimas. 23% delas são menores de cinco anos, não têm o que comer e sofrem com a desnutrição crônica. (DM) * Com trechos do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef)

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