Postagens

Mostrando postagens de 2007

Tontons Macoutes: uma milícia impiedosa a serviço do ditador Papa Doc

Imagem
François Duvalier, o Papa Doc, ditador sanguinário do Haiti entre 1957 e 1971, não confiava em seu Exército. Em 1958, quando iniciou seu governo, ao invés de tentar consolidar sua posição, se aproximando das Forças Armadas, resolveu tomar uma posição mais arriscada, trilhando caminhos seguidos por líderes como Hitler, assumindo o poder com uma força de sua confiança.

Papa Doc deu início, então, a uma organização de contrapeso ao Exército, direta e exclusivamente subordinada ao Palácio Nacional: os Tontons Macoutes.
A força tinha sua base formada, por um lado pelos “Cagoulards” ou encapuzados, grupos de agitadores, recrutados por Duvalier na campanha presidencial de 57, para intimidar os outros candidatos e quase sempre através de métodos violentos.

No interior, os Tontons Macoutes foram recrutados nos líderes rurais ou chefes de seções, cuja nomeação até então era de responsabilidade exclusiva do Exército e passou a ser indicação de Duvalier.

Pela violência brutal e intimidado…

Tontons Macoutes

Imagem

François Duvalier, o Papa Doc

Imagem

Festa no chafariz, show de belas fotos e um país a beira do caos ambiental

Imagem
O Haiti é um país a beira de um colapso ambiental e o que é pior, com um déficit gigantesco de água potável. Por ser uma ilha montanhosa, a oferta da água já era escassa.

Nos últimos 50 anos, com a ininterrupta ocorrências de crises políticas e sociais, a falta de investimento em coisas básicas, como saneamento e energia, e o crescimento em progressão geométrica da população, a questão da água de beber virou um problema gravíssimo.

O desmatamento generalizado, principalmente para cozinhar, o assoreamento dos leitos dos poucos rios e contaminação dos lençóis freáticos, pela lama podre dos esgotos e pela salinização, criaram uma terra sem água.

As cidades, inclusive a capital, não têm água encanada. A população, já abatida pela pobreza, gasta boa parte do tempo ( e levanta de madrugada!!) para uma guerra, sem trégua, atrás do líquido. Baldes, latões e as filas, semelhantes a formigas-de-correição, integram a imagem social, como se fosse o vai-vem de trabalhadores comuns de uma cidade operá…

As crianças, todas elas, são obrigadas a dar o quinhão no carregamento de água

Imagem

A mesma água para o banho e higiene bucal

Imagem

Saquinho de água valioso na quente Porto Príncipe

Imagem
Imagem

Pernambuco em mais um fim de semana violento, com taxas de homicídios comparadas ao Haiti

Imagem
Gente, enquanto os gestores fecham os olhos, a matança continua em Pernambuco, particularmente em Recife.

Os números registrados no último fim de semana (prolongado de Finados) foi assustador. Em três dias, da zero-hora da sexta à meia-noite do domingo, foram 47 pessoas assassinadas no estado. Treze apenas na Região Metropolitana do Recife.

Segundo o site especializado em segurança pública, PEbodycount (http://www.pebodycount.com.br/), só hoje (6-11), foram mais 10 mortes. No mês (novembro!!), são 70 assassinatos e no ano, com registro desde 1º de maio, são 2.112 vidas ceifadas.

Nem o Haiti, país que vive uma situação delicadíssima de ordem interna, governo frágil, pobreza generalizada e tudo de ruim em termo de organização social, tem um índice tão alto de homicídios. Agências de notícias chegaram a publicar recentemente que a violência urbana tinha caído no Haiti e que a República Dominicana, país vizinho, já tinha índices de homicídios muito maior.

Principalmente depois da queda de Ci…

No Haiti, gangues dominavam os bairros pobres e populosos

Imagem

Até crianças pegavam em armas

Imagem

População mergulhada na imundice

Imagem

Um país sem idosos

Imagem
Um dos grandes reflexos sociais da pobreza hiatiana pode ser comprovado no perfil etário da população. A expectativa de vida no país não ultrapassa aos 49 anos, um dos índices mais baixos do mundo e o pior das Américas.

O índice de 49 anos na expectativa de vida foi atingido pelos Estados Unidos no início do século XX. Só para efeito de comparação, hoje o Japão é o primeiro colocado neste ranking, com 81,6 anos de expectativa de vida. Em seguida vêm Suécia (80,1), Hong Kong (79,9), Islândia (79,8) e Canadá (79,3). O último do ranking é a Zâmbia, com 32,4 anos. Próximos ao Brasil (71,9) estão países como Colômbia (72,2) Suriname (71,1) China (71,0), Paraguai (70,9) e Equador (70,8).

O Haiti tem cerca de 8,5 milhões de habitantes, com quase 4 milhões de crianças e adolescentes. O que impede o povo hatiano de chegar na fase idosa é um emaranhado de problemas. O principal deles é a fome, seguida da falta de saneamento básico, vacinas, antibióticos, cuidados médicos preventivos e eletivos be…

Uma nação sem expectativas

Imagem

População é jovem

Imagem

Haiti: um país onde ratos ainda comem gente

Imagem
A pobreza generalizada do Haiti, com seus reflexos em todos os setores (econômicos, sociais, culturais) castiga impiedosamente a população.
A falta de saneamento básico, vacinas, antibióticos, cuidados médicos preventivos e recuperadores gera situações inusitadas e inadmissíveis para a humanidade, que sonha e se encanta com as tecnologias digitais e com a “riqueza” da globalização econômica.

A foto, chocante e desumana, é uma prova cabal e retrato do Haiti. A mãe, descuidada, deixou a filhinha deitada no chão de sua residência em Cité Militaire, um bairro populoso e pobre da capital Porto Príncipe. A garota, deficiente e desnutrida, foi literalmente comida por ratos, peste que domina o subterrâneo da capital. Foi socorrida a tempo e atendida num posto médico da ONU.

Mais de cem soldados da força da ONU no Haiti são afastados por abuso sexual

Segundo a agência de notícias AFP, em Nova York, Cento e oito soldados do Sri Lanka, pertencentes à força das Nações Unidas mobilizada no Haiti, serão repatriados por comprar serviços sexuais, inclusive de menores, anunciou quinta-feira (1 de novembro) a porta-voz da ONU, Michele Montas.

Estes integrantes do contingente da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (Minustah), "serão repatriados sábado como medida disciplinar", declarou Montas à imprensa.
Ela informou que a decisão foi tomada depois "de informações relacionadas a casos de exploração sexual e de abusos cometidos por membros de um batalhão do Sri-Lanka em vários pontos do Haiti".

Montas precisou que algumas mulheres haitianas envolvidas no escândalo eram menores de idade.

Tropa de Elite, um filme desmistificador e inconteste. Um tapa na cara de muita gente.

Imagem
Em recente edição, a revista Veja trouxe à discussão os tabus quebrados pelo filme Tropa de Elite, do cineasta José Padilha.

O semanário foi de uma bravura sem tamanho ao expor, de forma contundente, o consumo de drogas da classe média brasileira, principal patrocinadora do tráfico no país, e a “proteção” levada a cabo por uma certa elite intelectual.

Veja foi além da cobertura factual para combater os muros do preconceito e a patrulha ideológica feita por colunistas, jornalistas e formadores de opinião que não medem esforços para combater a mera insinuação do verdadeiro papel dos viciados ricos.

Veja foi às vísceras das falsas imagens da esquerda romântica.
O filme de Padilha sem sombra de dúvida é o melhor de todos os tempos, realista, atual... é um verdadeiro tapa na cara de muita gente, que por incompetência, omissão e conivência deixou o bandidismo imperar e levar à barbárie a maioria das cidades brasileiras.

O filme e a revista desnudam os “críticos” de plantão que inocentam maconhei…

Religião: mitos e realidade em um templo vodu no Haiti

Imagem

Religião: mitos e realidade de uma ceriônia "vodu" no Haiti

Imagem
Por Dinomar Miranda - (em visita ao Haiti -2006)

Ir ao Haiti e não conhecer um templo vodu dá ao visitante a sensação de uma viagem incompleta. 

Conhecer o vodu, seus mitos, crenças, história e, claro, assistir a um ritual no terreiro é uma experiência fantástica. 

O templo que nos recebeu fica em Tabarre, na região metropolitana de Porto Príncipe. 

Uma área pobre, mas em melhores condições do que outros bairros capital.


O nosso contato com a sacerdotisa Immacula, um Mambo (nome dado à celebrante feminina), foi muito cordial. 

Ela fez exigências. A primeira delas foi que nós nos dirigíssemos ao seu terreiro para “negociar”. Os espíritos assim solicitavam, porque são superiores e nós deveríamos ir até eles. 

Ela fez alguns pedidos para ajudar na celebração. Immacula pediu bebidas (rum ou cerveja), cigarros e alimentos para distribuir aos fiéis. 

E, claro, uma quantia em dólar para pagar os “custos”.
No início da tarde do domingo, dia do ritual, fomos ao santuário levar o acordado. Para surpres…

Vodu: os espíritos são como santos católicos

Imagem
Por Dinomar Miranda ( Em visita ao Haiti - 2006) 

No Haiti há um ditado: 70% são católicos, 30% protestantes e 100% vodus. Parece exagero, mas o vodu rege a vida do povo haitiano. 

A manifestação religiosa, nascida há séculos na África, acompanhou os escravos aprisionados pelos europeus e desembarcou junto com a esperança de uma vida em liberdade. 

O vodu sobreviveu às perseguições dos colonos, se “casou” com as manifestações católicas, num sincretismo semelhante ao do Brasil, e se tornou o esteio cultural da nação haitiana.

O termo “vodun”, ramo de uma tradição religiosa teísta-animista, significa "deus" ou "espírito" na língua dos Fons. 

As divindades adoradas são um grande número de espíritos, chamados de Loas, que podem ser aparentados aos santos católicos, aos ancestrais deificados ou aos deuses africanos.
Suas raízes remotam aos povos da África Ocidental. 

O vodu haitiano é popular e sincrético, que incorporou os aspectos do ritual católico-romano, impostos pelos co…

Curiosidades sobre zumbis e bonecas vodus

Imagem
Por Dinomar Miranda 


O cinema hollywoodiano imortalizou nos filmes de terror a figura dos zumbis como espécies de mortos que foram ressuscitados por espíritos malignos, para perseguição aos humanos. 

Parte dessa lenda bebeu do voduismo norte-americano, praticado no sul daquele país, principalmente em Nova Orleans, na comunidade negra. 

Mas na tradição do voduismo haitiano, o zumbi é um ser humano a quem um sacerdote lhe roubou a alma. Este roubo é feito mediante técnicas de magia negra, quando a pessoa está morrendo e imediatamente depois de morrer.

A alma é conservada em uma garrafa pelo ladrão, que a partir desse momento tem o controle absoluto do corpo da pessoa morta. 

Esta carece de pensamento e controle autônomo, de modo que pode ser manejada como um escravo por parte do sacerdote, num estado de transe cataléptico, como uma espécie de ‘morto vivo’. 

Com o passar do tempo, o zumbi vai deteriorando-se, como se aprodecesse, e finalmente seu corpo acaba por morrer também.

Mas não foi isso…

Líder religiosa prepara a celebração

Imagem

Animais simbolizam deuses vodus

Imagem

Religião vodu é substituída pela católica

Nas seqüências de brigas e de disputas pelo poder, a Igreja Católica começou a tomar lugar no Estado. Na Constituição de 1811, ela foi reconhecida como religião oficial. Cada vez mais, a pequena elite sedenta marginalizava a religião do povo. Mas também, ao longo do século XIX, foram constantes os embates entre essa mesma elite e o Vaticano, a tal ponto que, em uma lei de 1820, o presidente Henry Chistophe (1807-1820) determinou que apenas com sua autorização os padres poderiam batizar, casar ou enterrar os mortos.

O vodu teve um pequeno crescimento de influência com a presidência de Faustin Soulouque (1847-1859). Maso Papa Pio IX e o novo presidente Fabre Geffrard (1859-1867), com o intuito de erradicar essa guinada vodu, chegaram a um acordo e assinaram a Concordata de 1860, que designava a Igreja Católica Apostólica Romana a gozar de privilégios especiais. Porto Príncipe, capital do país, tornou-se sede do arcebispado. O prazo do “contrato” era de 100 anos, com expiração apenas em…

Tambor chama os deuses

Imagem

Todo mundo no terreiro, velhos, adultos e crianças

Imagem
Imagem

Cerimônia vodu estimulou a rebelião da independência

Foi numa cerimônia vodu, em 1791, que o negro Bookman pronunciou as palavras eloqüentes de liberdade e fez os escravos, ali reunidos, jurarem fidelidade, desencadeando a maior insurreição negra do mundo e o início da independência do Haiti dos domínios franceses. A guerra durou 13 anos e foi um marco na histórica rebeldia haitiana.

Mas o vodu já era uma teia de ligação entre os escravos muito antes da guerra de independência. Na África, os negros capturados eram transformados em mercadoria vulgar do comercio internacional, separados propositadamente de suas famílias, dos dialetos, de suas etnias e despojados até mesmo do próprio nome.

Agarraram-se, então, à única coisa sobre a qual os brancos não tinham nenhum poder: as crenças, herdadas das mitologias ancestrais africanas.
ORIGEM - O vodu nasceu no oeste da África, num reino chamado Daomé, atual região de Benin. Nas novas terras não perdeu suas raízes e, apesar das múltiplas crenças escravas, sobreviveu. Foi perseguido, camuflou-se, us…

Simplicidade do negro exposta em arte Naif

Imagem

Arte Naif e sua função de aproximar dois povos

Imagem

Simplicidade e voduísmo inspiram Arte Naïf

Uma das principais manifestações artísticas haitianas é a Arte Naïf, que desde a liberalização da crença vodu no país, no início de 1940, começou a crescer e a ganhar força e espaço.

Naïf é definida como uma arte primitiva moderna, produzida, geralmente, por artistas sem uma preparação acadêmica. É caracterizada pela simplicidade e pela falta de elementos ou qualidades presentes nas artes produzidas por artistas com formação. As telas Naïf têm pinceladas de cores fortes e tropicais e falam de temas comuns, como a natureza, e no Haiti, principalmente, expresam e servem de anteparo ao voduismo.

Segundo Albert Mangonès, um estudioso das artes, os primeiros pintores haitianos foram escolhidos pelos hugan (sarcedotes do vodu), graças ao seu talento, para servir às Loas (espiritos). "Os artistas executavam o que os hugan lhe pediam, num domínio em que apenas a decoração simbólica era necessária, enriquecendo assim a bela tradição das formas abstratas e coloridas sobre os elementos vodus…

Vídeo: apesar de muito sofrimento, haitianos recebem brasileiros com música, numa das várias ilhas do país

Carvão, a principal fonte energética do Haiti

Imagem

Briga política secular arrasou o país

O assassinato do imperador Jean-Jacques Dessalines (Jacques I), o primeiro mandatário do Haiti, em 1806, marcou o início de uma disputa política ferrenha e preconceituosa, que perdurou nos últimos duzentos anos de história do país, na briga pela alternância do poder। Foi o começo da derrocada da mais nova nação e que selou o destino miserável da maioria da população desfavorecida, com um efeito brutal nas pessoas mais frágeis.

Considerada umas das grandes responsáveis pela falência do Estado haitiano, a disputa reuniu, de um lado, a autocracia militar negra, herdeira de Dessalines, e de outro a elite mulata rica। Praticamente não há brancos na ilha, que foram dizimados durante os 13 anos de guerra de independência.

As disputas das minorias pelo poder resultou em conseqüências desastrosas para a população, obrigada a vivenciar quatro guerras civis, revoluções, invasões e anexações da República Dominicana, conspirações, atentados e dezenas de golpes de estado। Dos quarenta governantes, …

A assombrosa situação das crianças

Imagem
As crianças nascidas no Haiti têm maiores probabilidades de morrer durante a primeira infância do que em qualquer outro país do hemisfério Ocidental। A projeção consta no relatório “A infância em perigo”, lançado pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância). “Há poucos lugares no mundo onde é mais difícil ter uma infância saudável do que no Haiti,” constata o representante do Unicef no país caribenho, Adriano González-Regueral.

Para milhares de meninos e meninas haitianos, a vida é uma dura luta diária। Nas zonas rurais, eles não têm sequer acesso aos serviços minimamente básicos, sendo muitas vezes obrigados a caminhar durante horas para chegar a um centro de saúde ou a uma fonte de água। Nas cidades, sem luz e água tratada, a violência e os maus-tratos as tornam reféns de um ciclo do qual é quase impossível libertarem-se. Uma pesquisa independente e recente, coordenada por Royce Hutson, e divulgada pelas agências de notícias internacionais, afirma que cerca de 32 mil mulhere…

Exército confirma 1° militar contaminado por HIV no Haiti

O Exército confirmou, ao Estadão, o primeiro caso de um militar brasileiro que retornou da missão de paz das Nações Unidas no Haiti contaminado por HIV, o vírus que causa a Aids. O assunto vem sendo tratado com muita reserva dentro das Forças Armadas.

Trata-se de um oficial, um capitão-médico, que se encontra atualmente realizando exames que irão avaliar sua permanência no Exército, podendo ir para a reserva ou ser reformado. O Haiti é o país mais pobre das Américas e o com maior número de aidéticos fora da África, segundo a ONU: cerca de 6% da população está infectada com HIV ou tem Aids.

O diagnóstico foi dado pela Divisão de Missão de Paz do Comando de Operações Terrestres (Coter), em Brasília, em um período de quatro dias em que o militar ficou isolado após o retorno da missão no Haiti, em 19 de junho. Nesta fase, denominada pelo Exército como "desmobilização", realizam-se exames de saúde, psicológicos e se prepara a reinserção dos militares na sociedade brasileira.

Não f…

Haiti: as crianças perdidas de Cité Soleil

Imagem
Passava das 8h da manhã quando chegamos ao Porto de Waff, bem na periferia de Cité Soleil, a maior e mais violenta favela do Haiti. Dirigimo-nos, através de uns becos e vielas, para o local de uma peixaria comunitária, um dos primeiros projetos sociais da localidade.

Ao longe, coisa de dois quarteirões, podia se ouvir as rajadas de 5,56 mm, calibre das gangues que brigam pelo controle da favela. Depois de uns cinco minutos de uma tensa caminhada, chegamos ao “ancoradouro”. Se Cité Soleil tem todos os adjetivos de uma favela de “quinto mundo”, imagine aquele lugar.

É característica do ser humano se acostumar, se adaptar facilmente aos lugares. E depois de seis meses de Haiti, muita coisa, infelizmente, já parece familiar. Mas aquele espaço, coisa de 500 metros quadrados, cercado por um amontoado de barracos, irrigado por um fétido correr de esgoto, extrapolava toda e qualquer coisa semelhante a um ambiente humano.

O sol forte e o calor, com o cheiro da lama e do lixo, que ornamentava t…

Haiti: Porto Príncipe, uma capital em agonia

Imagem
Porto Príncipe é uma das capitais mais miseráveis do mundo. Densamente povoada, tem cerca de 2,5 milhões de habitantes. Cresceu assustadoramente com o decorrer das sucessivas crises políticas e com o negligenciamento da estrutura econômica do país, principalmente a agrária.

O colapso da agricultura, em queda desde a independência, e a devastação ambiental, obrigaram a um êxodo rural volumoso. A população, 72% essencialmente rural até meados do século 20, mudou de perfil rapidamente.

Carente da infra-estrutura básica, ela começou a inchar e a formar bolsões de miséria. A maioria dos habitantes vive em favelas ou guetos, na mais absoluta pobreza. Os serviços básicos, como energia elétrica, água, esgoto e coleta de lixo praticamente não existem.
O trânsito, sem semáforos e com o emaranhado de carros velhos e batidos, é um dos mais congestionados do mundo, num verdadeiro caos urbano.

O fornecimento de energia é racionado. O país tem apenas uma hidrelétrica, incapaz de suprir uma parcela mínim…

Sobre o Autor

Dinomar Miranda é jornalista, brasiliense, mas reside no Recife há 11 anos. Formado pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), começou cedo na área da comunicação social, aos 15 anos, quando se tornou locutor de uma rádio FM, no interior de Goiás. Desde então, apaixonou-se pelo jornalismo.

Em 2001, ainda como estagiário da TV Jornal/SBT Recife, fez um curso de vídeo-repórter, em São Paulo, pelo canal All TV, aprendendo a mesma função dos correspondentes americanos na guerra do Iraque. “Na época, nem imaginava que poderia participar da cobertura de um conflito como o do Haiti”, explica.

O jornalista esteve no Haiti em 2006, de onde assinou, para o JC OnLine, o especial Haiti - pérola negra do Caribe; fez matérias para o Governo Federal, principalmente para site e voz do Brasil; assinou também textos para importantes jornais do país, como o Jornal do Commercio (Recife) e Correio do Povo (Porto Alegre). Ainda do Haiti, colaborou como Repórter Fotográfico para o Jornal O Globo e Fo…