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quarta-feira, 29 de julho de 2015

Queimadas: governo do Tocantins decreta situação de risco de desastre ambiental em 17 municípios


O governador Marcelo Miranda decretou situação de risco de desastre ambiental resultante de queimadas e incêndios em 17 municípios tocantinenses. 

O Decreto nº 5.281, de 23 de julho de 2015, foi publicado no Diário Oficial do Estado (DOE) da última terça-feira, 28. 

O documento determina a execução de ações de prevenção, combate e controle de queimadas e incêndios florestais, além de ações de campo nos municípios contemplados pelo decreto, dentre outras providências.

Conforme o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de 1º de janeiro a 28 de julho deste ano, foram registrados 3.115 focos de queimadas no Estado. 

Aliado a isso, as previsões do Núcleo Estadual de Meteorologia e Recursos Hídricos (Nemet-RH), da Fundação Universidade do Tocantins (Unitins), acerca da ausência de chuvas no Estado e o risco crescente de queimadas no período de estiagem motivaram a publicação do decreto.

Os municípios citados no decreto são: Araguacema, Divinópolis do Tocantins, Dueré, Formoso do Araguaia, Goiatins, Itacajá, Lagoa da Confusão, Lizarda, Novo Acordo, Paranã, Peixe, Pium, Ponte Alta do Tocantins, Porto Nacional, Rio Sono, São Félix do Tocantins e Talismã.

Providências

Segundo o superintendente estadual de Defesa Civil, tenente-coronel Peterson Queiroz Ornelas, este decreto já vinha sendo trabalhado há algum tempo entre a Defesa Civil, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) e o Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins). 

“O objetivo é concentrar esforços nas regiões sudeste, sudoeste e central do Estado, que sofrem mais com a estiagem”, explicou.

Conforme o tenente-coronel, neste ano, já foram capacitados mais de 500 brigadistas para atuação em municípios em situação crítica, a intenção é que, ao todo, 800 profissionais sejam capacitados. 

“O acordo firmado entre os 17 municípios e o Estado prevê a contratação e a capacitação de brigadistas, sendo 60% de responsabilidade do Governo e 40% da gestão municipal. Só para estes 17 municípios, o Estado já capacitou e está contratando 120 profissionais, e também já adquirimos equipamentos de proteção individual para estes brigadistas”, disse.

Além disso, o superintendente da Defesa Civil ressalta que o órgão está cedendo bombas costais, abraçadores e pinga-fogos, equipamentos que podem auxiliar no combate às queimadas.

Previsão

Conforme o coordenador do Nemet-RH, da Unitins, o meteorologista José Luiz Cabral da Silva, a região dos municípios mencionados no decreto tem como característica longos períodos de estiagem. 

“Nós temos um regime pluviométrico muito bem definido, que vai de meados de outubro até meados de maio. No entanto, durante os meses de junho, julho, agosto e setembro, não há previsão de chuva. 

Além disso, no último período chuvoso, que começou em outubro do ano passado, houve um déficit significativo de chuva em todo o Estado, o que agrava a situação”, justificou.

O especialista reforça que todo o Estado terá pelo menos mais um trimestre de incerteza climatológica, com pouca probabilidade de chuva, reforçando a necessidade de combate e prevenção das queimadas, que são recorrentes neste período, principalmente devido às características da vegetação do Cerrado.

Arraias (TO) comemora aniversário com Feira da Agricultura Familiar


O Governo do Estado, por meio do Instituto de Desenvolvimento Rural do Tocantins (Ruraltins), promove neste sábado, 1º de agosto, a VII Feira e Encontro da Agricultura Familiar de Arraias, região sudeste do Estado, a 413 km de Palmas.  

Com o objetivo de divulgar a produção agrícola local e contribuir para a geração de renda e fortalecimento da agricultura familiar, o evento, que acontece na Praça da Matriz, é realizado todos os anos durante as comemorações de aniversário da cidade, e hoje já integra o calendário de eventos locais, sendo aguardada com muita expectativa pelos agricultores.

Conforme Marcelo Cordeiro, chefe do escritório do Ruraltins em Arraias, cerca de 50 expositores vão comercializar  seus produtos, tais como, artesanato, mel, pães, doces artesanais, mandioca, cana, milho, farinha, polvilho, hortaliças, dentre outros. 

“Para o evento contamos com a participação de produtores locais e dos municípios vizinhos, como Paranã, Combinado, Novo Alegre e Lavandeira”, afirmou o gerente.

A produtora Maria de Lourdes Conceição comercializa hortaliça na cidade e vê na feira uma oportunidade para aumentar as vendas e lucrar mais. “Essa será a terceira vez que participo e em todos os anos a gente vende toda a mercadoria. 

É garantia de venda certa”, disse com entusiasmo a produtora.

Maria de Lourdes Conceição é moradora da Comunidade Cajueiro, local onde existe uma horta comunitária agroecológica instalada pelo Ruraltins, considerada  um caso de sucesso na produção de alface, beterraba, cenoura, jiló, dentre outros, tudo de forma saudável e sem o uso de agrotóxicos.

Para o diretor de empreendedorismo rural, Adenieux Rosa Santana, as feiras da agricultura familiar são de extrema importância, tanto para a assistência técnica e extensão rural como para o agricultor. 

“Nós entendemos que as feiras não são apenas um momento para a comercialização da produção, ela é muito mais que isso. É um dos fatores que promove o desenvolvimento da agricultura familiar do Estado. 

E na realização de um evento como esse estão imbuídos diversos pontos como, os cursos de produção e manipulação de alimentos promovidos, a comercialização, a integração e divulgação do que é produzido na região”, destacou o diretor.

Ainda de acordo com Adenieux Rosa Santana esse ano o Ruraltins está buscando parcerias com diversas entidades, como o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), prefeituras, comerciários locais, dentre outros.

Imagem do dia: rua 7 de setembro, em Campos Belos, nos anos 80


Foto: Eliel Alencar, o "Lenca"

Polícia da Paraíba prende em Flores de Goiás quatro suspeitos de matar PM




Quatro pessoas foram presas suspeitas de envolvimento no assassinato do policial militar Pedro Marques da Silva, de 49 anos, morto a tiros e ano na cidade de Ibiara, no Sertão da Paraíba. 

A ação da Polícia Civil da Paraíba aconteceu, nesta terça-feira (27), na cidade de Flores de Goiás (GO) com apoio da Polícia Civil de Goiás. O crime aconteceu em fevereiro deste ano.

De acordo com o delegado Glauber Fontes, que presidiu o inquérito, quatro policiais da Paraíba se deslocaram para Goiás para cumprir mandados de prisão expedidos pela Comarca de Conceição, no Sertão paraibano, contra os quatro suspeitos, sendo que dois deles eram pai e filho.

“A ordem judicial foi resultado das investigações realizadas pela Polícia Civil da Paraíba. As primeiras informações foram recebidas pelo 197 – Disque Denúncia da Secretaria da Segurança e da Defesa Social, que nos levaram à localização deles em Goiás, para onde foram por conta da existência de parentes. Após levantamentos, a abordagem foi realizada com sucesso”, frisou o delegado da Paraíba.

Ainda segundo Fontes, o policial militar era comandante do destacamento de Diamante , também no sertão paraibano, e o crime teve como motivação uma disputa de terras. 

“O foco era uma propriedade de Pedro Marques e por conta disso os quatro prepararam uma emboscada contra ele, que foi atingido, executado, com disparos de armas de diversos calibres como 38 e 12”, revelou.

Os quatro homens serão encaminhados para a Paraíba e devem desembarcar no Aeroporto Castro Pinto, em João Pessoa, ainda esta semana, sob escolta da Polícia Civil.

Fonte: G1

Veja mais sobre este crime

Encontro de Culturas na Chapada: E viva o Império Kalunga!

Foto: Alan Oju
Por Ana Ferrareze, 

O remanescente quilombo Kalunga é o maior do Brasil, com mais de 5 mil habitantes no Vão do Paranã, no nordeste de Goiás. 

A comunidade existe há quase 300 anos, mas só foi descoberta pelo Brasil na década de 1960. 

O povo Kalunga é parte fundamental e muito importante na construção e realização do XV Encontro de Culturas Tradicionais, desde sua primeira edição. 

Na noite de sábado, 25 de julho, iniciaram a celebração do Império Kalunga com a tradicional procissão de hasteamento do mastro do Divino Espírito Santo.

Durante a manhã, a Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge já anunciava que seria dia de festa: flores coloridas de papel crepom feitas durante a última semana enfeitavam toda a entrada da casa para mostrar a devoção, história e tradição Kalunga.

A procissão saiu durante a noite, iluminando as ruas de São Jorge, que no dia teve uma queda de energia elétrica e deixou as luzes das candeias, velas feitas com algodão e mel, ainda mais fortes. 

Dezenas de pessoas se uniram caminhando e rezando, com as chamas acesas que pagam pecados, segundo a crença religiosa. “Elas também servem para dor de cabeça e para dia de chuva com vento. Deus protege”, explica Getúlia, a Roxa, rezadeira oficial. Há quatro anos, ela reza no Encontro. 

Aprendeu com seu pai, que sempre a levava, já que “não ia ficar vivo toda vida e ela tinha que aprender”. Comanda a reza em frente ao altar de São Jorge em uma ladainha bonita de ouvir.

A festa oficial acontece a partir do dia 10 de agosto e celebra o Império de Nossa Senhora da Abadia, no dia 15, além do Divino Espírito Santo, que é dia 14. É a mais importante do ano. 

Em São Jorge, o hasteamento foi logo depois da reza, ao som de caixas, sanfona e pandeiros. Um enorme mastro de madeira sustentando a bandeira do Divino, que representa um louvor ao Espírito Santo, foi levantado por cerca de cinco homens até fincar no chão. 

Esse ato significa que o povo passa por dificuldades e pede ajuda. Se as graças pedidas forem alcançadas, o mastro é levantado mais uma vez no ano seguinte.

O Império

Por volta das 17h do dia seguinte, sexta-feira, 26 de julho, a celebração continuou. O Imperador chega ao lado de duas crianças, os anjos, os três portando coroas coloridas feitas pelas mulheres Kalungas também com papel crepom. 

Este ano, Joaquim é o imperador. Um quadrado é armado em volta dele e dos anjos com quatro varas coloridas. Dentro, também estão as rezadeiras e os organizadores da festa, protegidos. Outro cortejo é feito pelas ruas da cidade nessa formação, com todos cantando.

De volta à Casa de Cultura, os Kalungas se reuniram sentados em frente ao altar de São Jorge. Roxa e as outras rezadeiras se sentaram nas fileiras da frente, seguidos pelo imperador e pelos anjos. 

Ao final, a celebração terminou na mesa, montada horas antes com refrigerantes e bolos. “Quando não é bolo, fazemos paçoca de carne”, conta Roxa. Na celebração tradicional, todos se sentam para comer juntos. 

“Eles já avisam: tá chegando o Império!”, conta a rezadeira. E a festa vai até o fim do dia. 

Fonte: Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros 

Índios do Tocantins: o palhaço krahô, a dança e a Bíblia


Por Sinvaline Pinheiro,

No cerrado ainda preservado no Estado do Tocantins se escondem os índios krahôs. 

São homens, mulheres e crianças em busca de manter sua tradição, de aumentar a família e mais que tudo viver a principal cultura indigena: a cultura do prazer.

Cheios de sabedoria resistem no tempo contra a civilização que invade a aldeia nos encontros e no dia a dia...

Nesse contexto está o palhaço, o Hotxuá representado por Ismael Aprac Krahô na Aldeia Mangabeira no Estado do Tocantins. 

Nasceu na Aldeia Galheiros , não estudou quando pequeno, aprendeu com os pais e avôs a pescar,caçar, tecer, os rituais e especialmente a arte de ser Palhaço.  

O Palhaço é uma figura importante na comunidade indígena Krahô, pois ele tem a função de alegrar seu povo, principalmente as crianças. O Hotxuá é muito respeitado na sua comunidade e recebe até prêmios.

Sua arte ficou conhecida fora do convívio indígena e se tornou filme, produzido pela Caniban Produções Cinematográficas direção de Letícia Sabatella e Gringo Cardia. 

Com isso Ismael Aprac ganhou fama e faz viagens por todo o Brasil. Segundo ele ir ao Rio,  Salvador, Campo Grande e outras cidades é um grande privilégio, pois conhece mais pessoas para aprender mais.

Ismael Aprac com 60 anos de idade está na escola aprendendo a ler e escrever, está feliz. Ao ser indagado pela vida em família, ele cabisbaixo diz:

- Tá todo mundo bem, nois come, assa peixe,  e agora nois tem o livro do Deus, todo indio tem seu "biblim" ...

Biblim é a Bíblia, a família se tornou evangélica e com isso ele acredita que ajudou muito, tirou a cachaça, o fumo  e outras "coisas ruins" da aldeia.

Com o olhar firme e o pensamento longe, engasga, baixa a cabeça e diz:

Eu posso fazê minha brincadeira, alegá criança, mas num posso dançar...

O Hotxuá tem um ar de que não entende o que se passou, olha os filhos e netos, sabe que precisa preservar sua cultura e também ter o "livro do deus"...

Ainda bem que ele está aprendendo a ler ...

Que Papã o proteja!

Fonte: Encontro das Culturas Tradicionais da Chapadas dos Veadeiros 

Encontro na Chapada: Alto Paraíso de Goiás recebe a Tradição Kalunga


Por Sinvaline Pinheiro,

Os preparativos para mais uma apresentação do Reinado Kalunga no XV Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros envolveram uma série de detalhes, inclusive muitas pessoas, onde tudo é coordenado por dona Daíndia, uma das pioneiras desse ritual.

Montanhas de papel colorido, fitas, flores e muita alegria fazem parte dessa preparação, e é também um momento de interação entre eles, e ai surgem os causos, notícias e os segredos...

Detalhando fielmente os contornos de cada ornamento Daíndia vai ensinando as jovens como perpetuar a tradição.

- Começou foi assim: nois tinha festa mas num era um Imperio, em 1960 um comerciante , o Davi de Cavalcante deu a ideia de fazer o Reinado com coroa, rei e os anjos, porisso tem que ter os enfeite para decorar a casa da festa, eu já tenho 55 anos de Império. Antigamente nois enfeitava cum as flor do cerrado, hoje é só de papel.

Nesse ínterim vão nascendo flores, rosas, risadas, conselhos e muita alegria. Daindia com sua força consegue coordenar uma grande comunidade kalunga, não só do Vão de Almas onde ela reside, mas de outros locais.

A dança Sussa continua como era desde os anos 50, vestuário, rodia de pano, as vezes com um garrafa na cabeça  e o rebolar único das mulheres kalungas.

No Vão de Almas a Romaria é no mês de Agosto, são dois dias de muita reza e animação. Evento que já se tornou conhecido e tem um bom público. Daindia reclama da falta de estrutura para receber os convidados.

- Sabe, eu fico triste de nois num tê os banheiros, cheio de gente e fica tudo sujo os mato, os rio, precisava muito de fazê os banheiro para receber os turista. Já tenho até vergonha de enconvidar gente pra ir lá...

Véspera do Reinado Kalunga se apresentar para milhares de pessoas, as velas confeccionadas com algodão e cera de abelha, as flores, o arco, as coroas, bolos foguetes e outros apetrechos já estão prontos para encher as ruas do povoado de São Jorge.

Os kalungas se espalham pelo vilarejo vendendo suas joias do cerrado: óleo de coco, raízes medicinais, pimenta, candeias, paçocas, tapetes e causos.

E  mais uma vez a força kalunga mostra ao mundo a capacidade de persistir e viver sua cultura.

Prefeitura de Posse (GO) investe em equipamentos para Secretaria de Limpeza



Por Rose Ane Silveira, 

A prefeitura municipal de Posse, por meio da Secretaria de Limpeza, investe constantemente no conforto e segurança no trabalho de sua equipe. Por determinação do prefeito José Gouveia luvas de proteção para todos os servidores da Secretaria e para terceirizados foram adquiridas.

Segundo o secretário de Limpeza, Francisco Joselito, mais conhecido como Chefe, no total são 70 novos pares de luvas que estão à disposição dos servidores. A Secretaria está trabalhando na roçada, coleta de detritos e varredura dos setores centrais de Posse.

terça-feira, 28 de julho de 2015

Um ato de racismo contra os Kayapó no ônibus da Real Maia. Passageiros seguiam para Palmas (TO)

 Foto: Alan Oju
Por Magali Colonetti, 

As passagens de volta pra casa estavam compradas para o ônibus das 21h40 de segunda-feira. 

A Empresa Real Maia faz o trecho entre Brasília e Palmas, o ideal para os Kayapó que precisam chegar a Tucumã, no Pará.  

O grupo participava do XV Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros, em Alto Paraíso de Goiás, no nordeste do estado. 

Eram 18 indígenas prontos para seguir viagem, 14 na parte superior do ônibus e quatro na parte inferior. 

Esses quatro se depararam com uma situação de racismo vindo de uma passageira. 

“Ela não queria ninguém do lado dela e disse ‘Nós que paga’. Vocês saem ou eu chamo a polícia”, contou Bekateti Kayapó. 

- E as outras pessoas no ônibus? Onde elas estavam?
- Ah, nessas horas elas não fazem nada. Fingem que não vêem. 

Segundo Bekateti o motorista foi até eles e perguntou se gostariam que a polícia fosse chamada, mas não era de vontade deles. “Se fosse na minha cidade eu brigava, mas aqui não”, concluiu. 

“Mas vocês tem que brigar por seus direitos lá e aqui. Quem deveria ter saído era ela, não vocês. Isso é um ato de preconceito, ela deveria ser presa”, desabafou o produtor Aruane Lopes. 

Ele acompanha agora o desenrolar da história para conseguir programar a viagem dos oito indígenas que ficaram. Ao devolver os tickets da passagem o motorista entregou a via dele e não do passageiro. 

Para completar, o ônibus apenas seguiu viagem e não prestou nenhum suporte aos indígenas que foram expulsos do ônibus. 

“Eles ficaram até às 4h da manhã esperando um transporte. Como fomos pegos de surpresa, precisamos ir atrás de van na madrugada e o processo foi mais difícil”, explicou Aruane. 

O racismo escancarado 

Segundo Bekateti essa foi a primeira vez que aconteceu algo assim com eles, mas sabemos que ainda existe um preconceito vigente na sociedade brasileira em relação aos povos indígenas. 

Não é a primeira vez que os indígenas são tratados dessa forma. “É um preconceito que se vincula a um desconhecimento sobre esses indígenas e se vincula também a um momento que estamos vivendo de muito radicalismo dentro da sociedade e essas pessoas as vezes saem do armário. 

Elas não falavam, e hoje elas acham que podem falar e exercitar seu racismo cotidianamente”, observou Tiago Garcia, assessor da secretaria de Direitos Humanos. Ele ainda comentou que os índios mostraram uma diplomacia que muitas vezes a sociedade não tem com eles. Mostraram ter consciência de quem são e da sua importância. 

“Que naquele momento não valia a pena brigar com uma pessoa totalmente preconceituosa , racista, e ignorante mesmo”. Diplomacia a parte, é preciso lembrar que em casos como esses é preciso brigar. 

É uma situação de racismo e isso é crime. O de não querer viajar com uma pessoa simplesmente porque ela tem uma identidade diferente da sua. “Ele cometeu um crime e merece ser punida por isso”, concluiu Tiago. 

Fonte: Encontro das Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros

E a greve dos professores vai continuar?


Hoje o Sindicato dos Servidores Municipais de Campos Belos lembrou aos professores e monitores da rede municipal de ensino, em greve,  que a próxima assembleia será no dia 30 de julho (quinta-feira).


A pergunta é: a greve dos professores vai continuar? e a birra do prefeito Ninha, também? 

Vândalos não atendem pedidos e continuam a atear fogo em morros de Campos Belos (GO)



Não tem adiantado a campanha do Ministério Público de Goiás em Campos Belos, nordeste de Goiás, para que as pessoas respeitem a comunidade e não atentem contra a saúde pública e ambiental, ateando fogo em locais propícios a incêndios florestais. 

Nesta terça-feira (28), a elevação (morro) que fica defronte ao Parque de Exposição Agropecuária ardeu o dia todo em chamas.

O incêndio, provavelmente, foi provocado por vândalos, pessoas más intencionadas, que não têm o mínimo senso de responsabilidade e respeito para com as pessoas com as quais convive. 

O promotor de Campos Belos, Paulo Brondi, fez recentemente um artigo, publicado aqui no Blog, pedindo a compreensão da comunidade para o grave problema e falando dos riscos e prejuízos das queimadas. 

O representante do Ministério Público botou até a um carro de som nas ruas da cidade

No alto falante, o promotoria pede aos moradores que não ateiem fogos na vegetação e informa que a ação é criminosa e rende multa pesada.  

Muitos cidadãos têm reclamado da morosidade da polícia em localizar e prender os vândalos incendiários, que mais parecem discípulos de Nero. 

“Aqui, se colocar fogo em lixo de casa, a polícia vem na hora e a pessoa tem que prestar esclarecimentos alem de multa e acho que até processo ambiental”, reclama um morador.

Passou da hora da polícia agir com rigor, não apenas na região urbana. 

Na zonal rural do município a questão se revela pior ainda. 

Lá, fazendeiros e pequenos produtores ainda resistem com uma cultura arraigada e arcaica de se fazer pastagens e roçados à base de incêndios. 

As consequências das queimadas são graves: destruição de habitats naturais; erosão no solo; aumento do buraco na camada de ozônio; perda da absorção do solo, aumentando os índices de inundações; poluição de nascentes, águas subterrâneas e rios por meio das cinzas; 

extinção de espécies (fauna e flora); destruição de infraestruturas, aumento da liberação de dióxido de carbono, uma das principais causas do aquecimento global; e o que é pior,  provoca nos humanos muitas doenças respiratórias. 

Para prevenir incêndios nas vegetações, os Bombeiros dão as regras básicas:

•Não faça fogueiras de nenhuma espécie;

• Não pratique atos religiosos em mata que venham a ser utilizados velas e fogo, pois poderão se alastrar vindo a queimar a mata;

• Não solte balões;

• Os fumantes devem ter atenção redobrada em estradas e rodovias e não jogar bitucas de cigarros pela janela do veículo;

• Os proprietários rurais e a população em geral devem atentar ao crescimento de vegetação (mato) próximo as residências e rodovias, fazendo aceiros para que o fogo não se alastre, devendo ainda não acumular lixos e vegetação seca para que não sejam objetos de incêndios em brincadeiras de mal gosto ao colocarem fogo nestes locais.

Lembra os militares, que o uso de fogo para limpeza de terrenos é proibida e no caso de incêndio provocado em mata ou floresta, a Lei 9.605/98, Lei de Crimes Ambientais, no art. 41 prevê a pena de reclusão de 02 a 04 anos e multa.

Em caso de incêndio o Corpo de Bombeiros deve ser acionado pelo telefone de emergência 193.

O pior (para não ser cômico) é que na região não há Corpo de Bombeiros, apenas as cobranças das taxas.

----------------------------------Leitora comprova

"Verdade, uma falta de respeito com as pessoas e principalmente com a natureza. Moro próximo ao morro e vi muito saguis (macaquinhos) correndo do fogo. Muito triste mesmo".

Kelly Ranne

Mineração e engenharia estão entre as profissões em baixa para 2015


Profissionais do setor de mineração e de engenharia estão entre as áreas com baixa demanda para o mercado de trabalho este ano, segundo levantamentos de grandes consultorias de recrutamento. 

Outras áreas que perderam mercado são as de desenvolvimento organizacional, gerenciamento, marketing e o setor imobiliário.

“Há bem pouco tempo, engenheiros estavam sendo disputados. Tanto os especializados em petróleo, como os civis, os navais e os do segmento de mineração. 

Mas, o fato do mercado não absorver temporariamente, não significa que a profissão perdeu valor”, disse Jacqueline Resch, sócia-diretora da Resch Recursos Humanos.

O profissional de mineração, que trabalha nas diversas fases da atividade, da extração de matérias-primas à logística para vender os minérios, aparece como carreira em baixa, uma vez que as oportunidades na área estão mais escassas devido a crise no setor de minerário no Brasil.

Os principais motivos são a alta do dólar, a queda no preço das commodities, como ferro e aço, e o impacto da concorrência da China, de acordo com avaliação de Rodrigo Maranini, da empresa de recrutamento Talenses.

Engenheiros civis, de produção, de vendas e engenheiros navais e de petróleo, são algumas das profissões ligadas a área da engenharia que também são listadas em baixa para este ano.

Em relação a engenharia civil, Jacqueline afirma que o setor da construção e o mercado imobiliário estão sendo fortemente afetados pela situação econômica, e que assim, a oferta de mão de obra está maior do que a demanda no momento.

Analistas e coordenadores de qualidade, saúde, segurança e meio ambiente (QSSMA), profissionais que acompanham os projetos da empresa, é uma profissão que está em baixa, pois ela cresce à medida que a produção das empresas aumenta. 

Segundo Marcelo Peixoto, da Hub Talent, todas as grandes e médias empresas atualmente são reguladas em cada uma dessas áreas e necessitam de equipe para monitorar a produção. “Quando a produção cai, a demanda por estas áreas, consequentemente, cai também”, disse.

Os gerentes de projetos também aparecem listados como profissão em baixa, visto que o atual cenário econômico leva ao congelamento de projetos e, de acordo com Anna Melo, gerente da Randstad Professionals, isso faz com que os trabalhadores da área sejam realocados quando terminam um projeto, o que não gera abertura para a entrada de novos profissionais.

Já o profissional da área de relacionamento com investidores, que trabalha como um canal direto entre a empresa e os acionistas, investidores, analistas e toda a comunidade financeira, aparece em baixa devido a atual crise e menor movimento de abertura de capitais que enfraquecem a demanda, com apenas movimentos de reposição de profissionais, segundo Peixoto. 

Com informações da revista Exame

Ministério Público Federal coleta assinaturas para apoio a medidas de combate à corrupção e à impunidade


O Ministério Público Federal (MPF) começou a colher, em todo o Brasil, assinaturas de cidadãos que apoiam dez medidas para aprimorar a prevenção e o combate à corrupção e à impunidade. 

As propostas de alterações legislativas buscam evitar o desvio de recursos públicos e garantir mais transparência, celeridade e eficiência ao trabalho do Ministério Público brasileiro com reflexo no Poder Judiciário. 

A íntegra das medidas e a ficha de assinatura estão disponíveis no site www.10medidas.mpf.mp.br.

O MPF tem como objetivo coletar 1,5 milhão de assinaturas para apresentar o projeto de lei de iniciativa popular ao Congresso Nacional. 

O cidadão pode procurar a unidade do MPF mais próxima de seu domicílio para assinar a ficha de apoiamento (confira aqui os endereços) ou imprimir a ficha a partir do site, coletar dados e assinaturas e depois entregar em uma sede do MPF ou enviar pelo correio para o endereço da Força-Tarefa Lava Jato em Curitiba: Procuradoria da República no Paraná, Rua Marechal Deodoro, 933 - Centro, Cep 80060-010 - Curitiba/PR.

As medidas buscam, entre outros resultados, agilizar a tramitação das ações de improbidade administrativa e das ações criminais; instituir o teste de integridade para agentes públicos; criminalizar o enriquecimento ilícito; aumentar as penas para corrupção de altos valores; responsabilizar partidos políticos e criminalizar a prática do caixa 2; revisar o sistema recursal e as hipóteses de cabimento de habeas corpus; alterar o sistema de prescrição; instituir outras ferramentas para recuperação do dinheiro desviado.

Elaboração das medidas - A partir da experiência de sua atuação e tendo em vista trabalhos recentes como a Operação Lava Jato, o Ministério Público Federal apresentou, no dia 20 de março, dez medidas para aprimorar a prevenção e o combate à corrupção e à impunidade. 

As propostas começaram a ser desenvolvidas pela Força-Tarefa Lava Jato em outubro de 2014 e foram analisadas pela Procuradoria-Geral da República em comissões de trabalho criadas em 21 de janeiro deste ano.

O lançamento foi feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pelos coordenadores da Câmara de Combate à Corrupção do MPF, Nicolao Dino, da Câmara Criminal do MPF, José Bonifácio Andrada, e pelo coordenador da Força-Tarefa Lava Jato do MPF no Paraná, Deltan Dallagnol.

Na ocasião, Janot explicou que, ao assumir o cargo de procurador-geral da República, colocou como ênfase atuar de forma propositiva na melhoria do sistema penitenciário brasileiro e combater a corrupção. 

Ele falou sobre a criação da Câmara de Combate à Corrupção para coordenar a atuação nessa área tanto no viés penal quanto não penal e acrescentou que, nesse âmbito, criou comissões de trabalho com o objetivo de encaminhar sugestões de mudança legislativa para implementar medidas de combate à corrupção.

Prefeito de Posse (GO) visita projeto de irrigação sustentável



Por Rose Ane Silveira, 

O prefeito municipal de Posse, José Gouveia, e o vereador Valdenite Santana, visitaram nesta semana um projeto inovador de irrigação de horta implantado no município de Posse.  O objetivo da visita foi avaliar de que forma este novo sistema pode vir a ser apoiado pela prefeitura para outros agricultores da região.

O dono da horta e autor do projeto, Sr. Israel, da Fazenda Sargento, explicou que  a água pode ser levada por meio de turbina por 1.300 metros, do reservatório da Fazenda Sargento, até a Fazenda Jatobá, onde seria construído um novo reservatório que levaria, por meio da gravidade água  para outros povoados próximos

Com o projeto, no mínimo três comunidades seriam beneficiadas e dezenas de famílias teriam finalmente acesso à água, a um custo muito mais baixo do que os métodos normais de irrigação.  

De Campos Belos : Fabinho Nobre navega pelo mundo a bordo do luxuoso navio Costa Pacífica


Por Jefferson Victor, 

Fabinho Nobre, 28 anos, nascido em Campos Belos, ganhou notoriedade ao publicar suas fotos nas redes sociais em lugares paradisíacos, então fomos buscar informações sobre a sua trajetória nas andanças pelo mundo.

Em 2008, Fabinho mudou-se para Curitiba, e em busca de emprego, descobriu uma empresa que agenciava postulantes a serviços náuticos, e após longas entrevistas e testes, foi selecionado e concluiu os cursos necessários para a função, dentre eles técnicas para sobrevivência em alto mar.

Sua jornada começou em Buenos Aires na Argentina, e desde 2011 tem percorrido o planeta a bordo de luxuosos navios que fazem cruzeiro em todos os continentes.

Atualmente Fabinho trabalha em um dos mais luxuosos navios já fabricados, o Costa Pacifica, que tem capacidade para acomodar 4 mil turistas e para isto conta com 1.200 tripulantes de 60 diferentes nacionalidades.

O navio, segundo Fabinho, possui uma infraestrutura invejável, é uma cidade flutuante com ambiente sofisticado. Possui bares, spar’s, academias, Studio de tv, cassinos, estúdio fotográfico, teatros, piscinas, WiFi via satélite, shoppings, hospital, piscinas, palco para shows e muitos outros atrativos para conforto e segurança dos passageiros.

As viagens nas Américas duram em torno de oito dias, e na Europa 12 dias, passando por vários países, e caso o turista deseje prolongar a viagem, dentro do próprio navio existe agência de viagens, o turista negocia seu próximo roteiro sem mesmo precisar desembarcar.

O Costa Pacifica, de bandeira italiana, é um dos muitos navios da empresa, eles fazem todas as rotas turísticas do planeta, e as vezes Fabinho troca de embarcação de acordo com as necessidades temporárias.

Fabinho é um privilegiado, e certamente é um dos campobelense que conhece maior número de países no mundo, ele já esteve em três continentes, América, Ásia e Europa, tendo passado pela costa africana durante viagens, porém não houve desembarque por não fazer parte do roteiro.

Nesta longa jornada, conheceu mais de 30 nações, e com um detalhe, sempre desembarca em todas as cidades turísticas, conhece várias localidades em cada país por onde passa.

É um trabalho  muito prazeroso, Fabinho vive em um ambiente luxuoso, e enquanto turistas desembolsam milhares de Euros para passear, ele trabalha e conhece as maravilhas distribuídas pelo mundo durante todo ano.

De todas as localidades visitadas, a preferida do Fabinho é  Pescara, uma cidade distante 130 kms de Roma na Itália, lá vive Laura Elizabeth,  sua  grande  paixão.










segunda-feira, 27 de julho de 2015

Boa notícia: MBAC, fábrica de fertilizantes em Arraias (TO), pode voltar a funcionar


A MBAC Fertilizer informou, hoje (27), que um fundo de investimento do segmento de fertilizantes fez uma oferta pela fábrica de fertilizantes fosfatados da Itafós Mineração, empresa controlada pela MBAC, em Arraias (TO). 

Com a entrada de investimento novo, a planta pode voltar a ser ligada. Em janeiro, os empregados foram demitidos e a produção interrompida.

O comunicado não diz se a operação se trata de venda ou aporte financeiro. 

Um documento sobre a revisão estratégica da empresa diz que a MBAC busca a venda da empresa, dos ativos no Brasil ou uma parceria estratégica. 

A mineradora canadense não especificou qual tipo de negociação foi oferecido na proposta.

A oferta, que envolve a recapitalização da companhia, não é vinculativa e está sujeita a uma série de condições, incluindo o acordo da dívida da MBAC com credores, uma reestruturação do Conselho Administrativo e o cumprimento das obrigações da empresa. 

As informações são de comunicado enviado ao mercado nesta segunda-feira (27).

O fundo de investimento, cujo nome não foi revelado, que fez a oferta para a MBAC concordou em estender um empréstimo-ponte para a empresa. 

Os fundos vão ser utilizados para preparar a planta de Itafós para uma possível retomada nas operações, que foram interrompidas no início deste ano. 

O dinheiro obtido com o empréstimo-ponte, que não teve valor divulgado pela empresa, também será usado para despesas gerais e administrativas.

O empréstimo-ponte possui uma taxa de juros de 15% ao ano e tem vencimento em 30 de setembro deste ano, mesma data em que encerra o período de exclusividade da oferta feita pelo fundo de investimento à MBAC.

A mineradora canadense disse que os termos e condições da proposta ainda estão sendo negociados. 

A MBAC informou que não pode garantir a conclusão da operação, que ainda estaria sujeita à aprovação do Conselho Administrativo, dos acionistas e da Bolsa de Valores do Canadá (TSX). 

A empresa disse que a oferta pode ser cancelada pelo fundo a qualquer momento sem nenhum pagamento de multa.

A MBAC também comunicou hoje a renúncia do presidente do Conselho Administrativo, Peter Marrone. 

Segundo a empresa, a saída do executivo abre caminho para a reestruturação da diretoria da empresa, condição prevista na oferta feita pelo fundo de investimento.

A Itafós Mineração, subsidiária da empresa canadense, e a MBAC estão sendo processadas separadamente por empregados demitidos. 

Outras empresas que pertencem à MBAC, como MBAC Brazil Holdings, MBAC Fertilizantes e MBAC International Holdings Cooperative também são alvos de processo.

O total das ações individuais e coletivas de ex-empregados contra a empresa é de US$ 1,6 milhão, que a MBAC já deve aos trabalhadores, mais US$ 11,5 milhões, requeridos por danos morais.

A companhia também está sendo processada pela Prefeitura de Arraias (TO), que cobra US$ 1,9 milhão de impostos não pagos referente ao Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS), mas multa e juros de US$ 1,6 milhão.

A MBAC Fertilizers possui entre os principais acionistas a B&A Mineração, que tem como sócios o executivo Roger Agnelli, que foi presidente da Vale até 2011, e o banco BTG Pactual, do empresário André Esteves. 

A B&A possui aproximadamente 18,171 milhões de ações da MBAC, o equivalente a 11,95% de participação.

Fonte: Notícias de Mineração Brasil 

Prefeitura de Posse (GO) faz campanha contra depredação da iluminação pública




Por Rose Ane Silveira, 

A Prefeitura Municipal de Posse vem a público fazer um apelo para que as pessoas  cuidem da iluminação pública da cidade, impedindo que ela seja apedrejada e denunciando os vândalos que quebram as lâmpadas das ruas. 

Os maiores prejudicados são os próprios moradores dos setores que estão praticamente às escuras. 

Na última semana a Prefeitura fez a manutenção no setor Morada do Sol e Vila São José. No período de 30 dias, 30 lâmpadas foram quebradas na Vila São José e 35 na Morada do Sol,  após uma manutenção feita em junho. 

Isto é inadmissível e é um crime não só contra o patrimônio público, mas contra a segurança de todos nós. 

Sem saída, advogados apostam na anulação da Lava Jato


A Operação Lava Jato, que já entrou para a história como uma das maiores (senão a maior) investigações de corrupção realizadas no Brasil, poderá perder um dos seus principais mecanismos de apuração: a delação premiada. 

É nisso que apostam os advogados de defesa dos políticos, empresários e executivos acusados de participar do esquema que sangrou a Petrobras em bilhões de reais. Eles encaram como trunfo a forma como as delações estão sendo conduzidas.

O atual advogado dos senadores Edison Lobão (PMDB-MA), Ciro Nogueira (PP-PI) e Romero Jucá (PMDB-RR) e da ex-governadora (PMDB-MA) Roseana Sarney, Antônio Carlos de Almeida Castro, desistiu de defender uma das peças-chaves da operação, o doleiro Alberto Youssef, quando ele optou por fazer o acordo de delação premiada.

Sonho de cliente para maior parte dos advogados criminalistas do país, Youssef deixou de ser uma boa defesa para Antônio Carlos. Revogar a causa do doleiro teve duas motivações: “Primeiro, sou contra a forma em que com que se faz delação no Brasil e, depois, porque eu sabia que ele ia falar contra uma série de clientes e ex-clientes meus”.

Para o advogado, também conhecido como “resolvedor-geral da República” por já ter defendido quase uma centena de políticos da esfera federal, as delações devem ser anuladas. 

“A forma com que esses acordos estão sendo usados, em que há uma séria pressão para as pessoas fazerem a delação, além de usá-las como provas produzidas independentemente de qualquer investigação, levará fatalmente à anulação da maioria das delações”, prevê o advogado, que é mais conhecido como Kakay.

De acordo com o criminalista, as colaborações estão sendo acordadas sem “nenhuma voluntariedade” e com diversos “abusos”. “Temos o caso de um procurador da República que admitiu que a prisão era usada para forçar a delação. Só isso daí já leva a anulação”, diz Kakay.

Último recurso

O advogado Pierpaollo Bottini, que defende o deputado Arthur Lira (PP-AL) e o executivo da Camargo Corrêa Danton Avancini, é mais cuidadoso ao falar sobre o assunto. 

“Eu acho que tem delações que foram oportunas, adequadas e outras que talvez não tenham sido. A prisão não é um instrumento para obter uma delação, ela não pode ser usada dessa forma, de maneira alguma. Se for constatado que a prisão aconteceu única e exclusivamente para obter delação, ai ela é ilegal, ilegítima”, afirma ele.

Danton Avancini, cliente de Pierpaollo Bottini, é um dos acusados que optaram por colaborar com as investigações. Condenado – na semana que passou – a 15 anos de reclusão por lavagem de dinheiro, corrupção passiva e organização criminosa, o executivo teve sua pena reduzida e alterada para prisão domiciliar por ter feito delação premiada.

Na opinião do advogado dele, o instituto é legítimo, mas adotá-lo é uma decisão muito difícil. Como certamente submete o delator a uma pena, já que ele se auto incrimina, só deve ser usado como último recurso.

Pierpaollo Bottini, que também atuou nas defesa de réus do mensalão, lembra que no caso julgado em 2012, o Ministério Público não fez uso do mecanismo. Para ele, as razões disso eram as “fortes evidências” obtidas nas investigações. Na Operação Lava Jato, já são 18 delatores. “O número é maior, mas o grau de provas é muito menor que no mensalão”, acredita ele.

O que os advogados dos acusados do petrolão questionam é justamente como os indícios e provas estão sendo obtidos. No entendimento de Kakay, os depoimentos que resultaram de delações premiadas não podem ser usados como provas. Já para Bottini, sempre há o risco de que a obtenção das evidências seja feita de maneira ilegal.


“Se eu descubro que evidências contra o meu cliente foram obtidas de maneira ilegal, por uma escuta telefônica ilegal, por exemplo, posso romper o acordo e recorrer alegando que o processo deve ser anulado”, exemplifica.

Se for comprovado que determinada prova da investigação (por exemplo, uma delação) possui origem ilícita, tudo que dela derivar também será considerado ilícito. “Tem alegações relevantes que alguns advogados estão levantando e que podem eventualmente conduzir a consequências processuais. 

Diante disso, nós optamos pela colaboração. Mas, certamente, se o processo foi anulado, isso afeta também meu cliente, que deixa de cumprir a pena”, analisa Bottini.


Tática é “tortura”

Sem qualquer cliente envolvido na investigação que domina a pauta política nacional há vários meses, o advogado criminalista Pedro Paulo Medeiros, que é procurador geral da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), também discorda da condução dos acordos premiados. 

Segundo ele, as delações são análogas aos procedimentos de investigação recorridos na época medieval e durante a ditadura militar no Brasil.

“O jeito que está sendo feito é a própria tortura. Uma tortura moderna. Na época da inquisição e do regime militar, eles faziam exatamente isso. Pegavam um cara, prendiam e ele só saia depois que falasse o que queriam ouvir”, disse ele.

Na opinião de Pedro Paulo, os delatores são alvo de coação cívica, psíquica e moral, além de privados da liberdade, para se sentirem obrigados a colaborar. Com isso, segundo o advogado, os acusados são cerceados do direito constitucional do silêncio e da não incriminação.

“O produto obtido com as delações pode ser anulado em razão da forma como se deu a delação, ou seja, com essa coação e com essa tortura modernizada. Não há dúvida de que é algo a ser analisado. Há uma razoabilidade em quem pensa nesse sentido”, aponta Medeiros.

O Ministério Público Federal do Paraná foi procurado pela reportagem, para se manifestar sobre as críticas dos advogados, mas não respondeu à solicitação até a publicação desta reportagem.

Fonte: Congresso em Foco

Alto Paraíso: Na batida da Folia de Crixás


Por Ana Ferrareze,

A Folia de Crixás veio para São Jorge no sábado, 25 de julho. Um grupo de 10 pessoas saiu da pequena cidade do Vale do Araguaia, em Goiás, direto para o palco em frente à Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge. 

Camisa engomada e chapéu na cabeça, foram liderados pelos irmãos violeiros Seu Severo e Seu Sebastião Dias nas danças ritmadas, como catira e veadeira, quando as batidas dos pés acompanham o som dos pandeiros, de caixas e do violão, em uma tradição que existe há mais de 200 anos em Crixás. 

Ela é mais ouvida no mês de junho, quando se comemora a festa do Divino, dividida em três folias: a de Santa Rita, a de São Patrício e a do Sertão. As duas últimas são giradas dentro da cidade, enquanto a primeira gira nas fazendas.

Em São Jorge, quem estava presente teve apenas uma mostra da folia. Em Crixás, o rito dura 15 dias. Primeiro, combina-se um pouso, onde os artistas se reúnem na casa de uma família anfitriã, jantam, rezam o terço e fazem uma pequena apresentação. 

No outro dia, tomam o café da manhã e partem com a bandeira do Divino toda enfeitada com flores e fitas. Passam de casa em casa perguntando se as pessoas querem recebê-los. Se a resposta for positiva, entram, tiram o chapéu e dão um viva em forma de verso ao anfitrião e ao Espírito Santo. Depois cantam, dançam e pedem uma oferta. 

Entre as danças, além da catira (agitada, ao som da viola e pandeiros) e da veadeira (com um sapateado mais rápido), estão outras como o batuque (dançado na chegada aos pousos, em pares) e a dança do tambor (que relembra as festas nas senzalas, em roda).

Uma hierarquia divide os artistas na Folia de Crixás. Os violeiros são os líderes, que improvisam os cantos e contam com ajudantes. 

O caixeiro é encarregado das caixas e o salveiro prepara os foguetes para avisar a chegada da folia. Também entram na festa os foliões, devotos que dançam e tocam pandeiro, e o palmeiro, que puxa as palmas. 

Rafael de Oliveira, de 12 anos, é o mais jovem da Folia que veio ao Encontro de Culturas Tradicionais. “Folião dos bons”, avisa Seu Severo.

Respeito, humildade e obediência

A tradição da Folia de Crixás é forte porque passa de geração a geração. Leonan, por exemplo, é filho de Seu Severo e participa desde os 5 anos. Começou como folião, passou para caixeiro e depois para palmeiro. Agora, é a resposta do mestre, o violeiro. 

Segue os passos da família, quase toda envolvida com a folia. “O grande segredo é o dom”, explica Seu Severo. “Eu tenho dez filhos, seis homens e seis mulheres. Deles, apenas três nasceram com a vocação para a folia”.

O pai de Seu Severo era cantador. Hoje, é representado por quatro de seus filhos na Folia de Crixás: além de Severo e Sebastião, Manoel e Cícero.

“Eu sou o mais velho e acabei puxando meus irmãos para girar”, conta o primeiro. “Desde os 10 anos já tinha o dom de cantar. Minha dupla sempre foi o Sebastião: eu na primeira e ele na segunda voz. Encaixo na viola e vou”.

As orações estão muito presentes na Folia de Crixás e o Divino Espírito Santo é o grande louvado, a festa é dele. “Exaltamos o respeito, a humildade e a obediência”, explica Seu Severo. “A brincadeira da folia pode ser apresentada em qualquer lugar. Para nós, é uma honra vir ao Encontro de Culturas. É nosso sétimo ano”.

Honra mesmo é ter a chance de conhecer a Folia, em Crixás, em casa, em São Jorge ou qualquer outro lugar. Ver Seu Severo chegar o dedo na viola e a foliada o pé no chão. 

E presenciar o crescimento desses jovens talentosos, que no futuro se tornarão os grandes mestres violeiros que continuarão mantendo a tradição viva. Viva a Folia de Crixás!

Fonte: Encontro de Culturas da Chapada dos Veadeiros

Ex-tesoureiro diz que entregou dinheiro roubado a ministro do TCU


O ex-tesoureiro da Prefeitura de Campina Grande (PB) Rennan Trajano Farias afirma que, em 2010, fez entregas ao então candidato ao Senado Vital do Rêgo (PMDB-PB), hoje ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), de dinheiro em espécie desviado de um contrato de R$ 10,3 milhões entre a prefeitura e uma empreiteira que nunca executou os serviços acordados.

O denunciante disse que também fez entregas ao irmão do ministro, o deputado federal Veneziano Vital do Rêgo (PMDB-PB), e para algumas empresas que atuavam nas campanhas da família.

Quando senador, Vital do Rêgo foi designado pelo presidente do Senado Renan Calheiros, a quem é ligado, para presidir duas CPIs da Petrobras que nada apuraram de concreto sobre o escândalo desmantelado pela Operação Lava Jato. Ganhou, como prêmio, o cargo vitalício de ministro do TCU.  

Rêgo negou ter recebido recursos do ex-tesoureiro da Prefeitura de Campina Grande Rennan Trajano Farias e disse que não tem "relações de qualquer natureza" com ele. 

Vital afirmou ter interpelado judicialmente Farias em dezembro de 2013 sobre as acusações, mas o caso acabou arquivado porque ele não apresentou explicações.

Segundo o ministro, "este comportamento soa como subterfúgio de cidadão notoriamente conhecido na Paraíba pela prática de atos reprováveis, como a transferência de recursos públicos para a sua conta". Já o deputado Veneziano disse que as declarações de Farias são "infâmias" e "delinquências verbais" sobre as quais "certamente não faltam estímulos e subvenções".

Fonte: Diário do Poder 

MinC e Ministério das Comunicações discutem inclusão digital no Brasil


Por Ana Ferrareze,

São Jorge recebeu uma antena Gsat nos últimos dias para melhorar a conexão durante o XV Encontro de Culturas Tradicionais e a IX Aldeia Multiétnica, quando a demanda pela internet dobra. 

Neste sábado, 25 de julho, o Secretário de Inclusão Digital do Ministério das Comunicações, Jefferson D’Ávila, veio até a vila justamente para participar de uma roda de prosa sobre acervos digitais e povos tradicionais e comunicou que a antena fica. 

Junto com a notícia veio a discussão sobre inclusão digital, tema crítico no governo nos últimos 12 anos. 

“Estamos reiniciando todo o processo, substituindo o modelo adotado todo esse tempo, que não estabelecia um diálogo com as comunidades”, explica o Secretário. 

“O governo pensou que inclusão digital fosse apenas instalar antenas de internet. Agora, vamos ouvir as pessoas e entender o que efetivamente acontece e o que precisa ser feito”.

O coordenador geral de acervos digitais do MinC, José Murilo, também participou da roda. Ele apresentou a proposta do Ministério para conectar a tecnologia com a cultura tradicional. 

O objetivo é pensar em soluções para uma política nacional de criação e preservação de acervos digitais, que devem ser integrados em um sistema único. 

“Dependemos muito de serviços de busca internacional, como Google e Bing, que conferem uma falsa impressão de integração. A Universidade Federal de Goiás está desenvolvendo uma plataforma para que um sistema brasileiro dê conta sozinho, assim o acesso e o desenvolvimento será muito mais simples”, conta ele.

A partir de agora, o processo de digitalização será feito em contato com representantes das culturas tradicionais. Escolheram a plataforma Wordpress, mais fácil de ser utilizada por quem não está acostumado com computadores e internet. Hoje, 30% do conteúdo online está nela. 

As redes sociais também serão exploradas.  “Coisas simples podem mudar muito as comunidades. Estamos prontos para começar um desenvolvimento de políticas públicas e o MinC tem a missão importante de conectar”, disse Juliano Basso, idealizador do Encontro de Culturas, que mediou a roda.

Jefferson D’Ávila comunicou que os próximos 30 dias serão voltados ao diagnóstico de todos os pontos de inclusão digital do Brasil, o que ainda não foi feito. Os telecentros, pontos de cultura e rádios comunitárias, por exemplo, não estão catalogados. É preciso recuperar essas bases e reconstruí-las. 

“Não vamos mais enviar máquinas para todos os lugares e não criar uma interação. Precisamos que elas passem a funcionar em rede, com qualificação profissional e uma forte plataforma de conteúdo”, avisa. “Temos dois movimentos políticos: um para que as ideias aconteçam e outro para que não. Vamos ganhar essa chave de braço”.

Na prática, do lado de quem vive

O professor da Unirio e Coordenador do Nepaa (Núcleo de Estudos das Performances Afro-Ameríndias), Zeca Ligiero, entrou na roda para apontar uma questão importante: no universo das culturas tradicionais as tradições orais são tão importantes quanto as escritas. 

As universidades, baseadas em um modelo europeu, não aceitam isso, o que representa um grande problema. “Também temos documentos e patrimônio material, mas é importante discutir no programa como podemos fazer para criar e preservar essa documentação oral”, fala o professor.

 Segundo ele, além de preservar é necessário difundir. “Os jovens brasileiros não sabem nada sobre culturas tradicionais, indígenas e quilombolas. Mas aprendem tudo sobre Revolução Francesa na escola”, desabafa. “Isso é uma loucura. Não conhecemos quem somos”.

A pesquisadora Carla Águas, do INCTI (Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Inclusão), completou dizendo que pensamos muito em manifestações culturais, mas esquecemos que a cultura traz muitos outros conhecimentos. “Existe um manancial de saberes invisíveis. 

Como quando um senhor diz ‘hoje vai chover’ e chove”. Ela conta a história de um estudante de matemática, morador da comunidade quilombola Conceição das Crioulas, em Salgueiro, Pernambuco. 

Ele escolheu o curso por conta de seu avô, grande construtor de cercas da região, famosas por serem feitas com ripas entrecruzadas. Para construí-las é preciso calcular mentalmente quantas ripas finas e grossas são necessárias para determinados terrenos. 

O neto aprendeu e agora quer unir os conhecimentos familiares com os conquistados na universidade, a fim de se tornar professor na comunidade.

Por isso mesmo, Carla está à frente do Encontro de Saberes, projeto financiado pelo MinC, que desde 2010 busca transformar grandes mestres de comunidades tradicionais em professores do Ensino Superior. “Quando você abre a porta, a comunidade reage”.

José Murilo encerrou a conversa dizendo que o MinC se encaixa em muitos dos pontos discutidos. Fez uma chamada ao público, convidando iniciativas articuladas a se manifestarem a fim de fazerem parte do conteúdo dos acervos. 

“E o que é acervo? Além de tudo, podemos reinventar essa palavra para englobar todas as culturas do Brasil”, finaliza. 

Fonte: Encontro de Culturas da Chapada dos Veadeiros